Busca por escritório asséptico alavanca serviços de limpeza

Publicado em 27/07/2020, às 08h56
Foto: Folhapress -

Folhapress

Os serviços de sanitização, que prometem eliminar vírus e bactérias dos ambientes com mais eficiência do que uma faxina comum, ganharam mercado nos últimos meses com o avanço do novo coronavírus.

LEIA TAMBÉM

"Até o início da quarentena, não tínhamos sanitizado mais do que 100 metros quadrados. Nos últimos quatro meses, porém, chegamos a 3,5 milhões de metros quadrados. De quatro máquinas, pulamos para 162", diz Renato Ticoulat, 62, responsável por trazer a franquia norte-americana Jan-Pro ao Brasil, em 2011.

Com 400 franquias em todos os estados, a Jan-Pro cobra R$ 5 pela higienização do metro quadrado –um produto exclusivo, EnviroShield, é pulverizado no ambiente e consegue chegar a cantos e ranhuras impossíveis de alcançar com um esfregão.

Segundo Ticoulat, 40% dos atuais clientes fecharam contrato durante a pandemia.

Francisco Brant de Carvalho, 65, sócio da agência de investimentos Ultrahigh, é um deles. Ele contratou a limpeza para suas três salas, que somam 200 metros quadrados e abrigam outros cinco sócios.

"Para minha surpresa, os clientes já voltaram a pedir reuniões presenciais. Contratei a sanitização e adotei uma série de protocolos para que eles se sentissem mais seguros."

O físico Emilio Muno, 49, tornou-se concorrente da Jan-Pro. Antevendo a oportunidade que a pandemia representaria para o setor de limpeza profissional, ele investiu R$ 30 mil para fundar, no final de março, a empresa UVC.

O cardápio de serviços inclui várias opções: sanitização química simples ou premium, que promete efeito prolongado de até três meses, além de sanitização através de raios ultravioleta e com ozonizador.

Os resultados superaram tanto a expectativa do empreendedor que ele já fez um novo aporte de R$ 20 mil para comprar mais equipamentos.

Dos 80 clientes atendidos, 70% são de pequeno porte, como salões de beleza e consultórios dentários.

"Muitos empresários estão acordando tarde para a questão e só pensam em contratar o serviço depois que um ou mais funcionários são infectados. O correto é fazer a limpeza preventiva", diz.

Embora a demanda pela sanitização seja crescente entre empresas, o mercado doméstico também tem engordado o faturamento de companhias como a Mary Help.

José Roberto Campanelli, 65, fundador da rede de franquias de serviços em geral, com sede em São José do Rio Preto (interior de São Paulo), conta que 60% da sua clientela é composta por residências.

Ele passou a oferecer o serviço de sanitização em meados de abril e, com isso, conseguiu recuperar a saúde financeira da empresa.

"O faturamento chegou a cair 70% no início da quarentena, porque ninguém queria ter diaristas em casa. Quando lancei a sanitização, porém, voltei a faturar 80% do que faturava antes", afirma.

Já a rede de franquias Maria Brasileira, que também passou a oferecer o serviço durante a pandemia, descobriu que os condomínios residenciais podem ser ótimos clientes. Quem afirma é o fundador da rede, Felipe Buranello, 32.

"Eles contratam a desinfecção periódica, até duas vezes por mês, e são uma ótima saída para as franquias menores. A rentabilidade desse tipo de serviço é bem maior do que a de diárias simples."

SELO DE DESINFECÇÃO

Dono de um consultório dentário no Distrito Federal, com cinco salas e oito profissionais, Giancarlo Lettieri, 56, exibe seu mais novo diploma: o selo ALS (Ambiente Limpo e Seguro) concedido pela certificadora ICV Brasil.

Lançado em maio, ele garante que o estabelecimento segue todos os protocolos exigidos pela cidade, pelo estado e pela entidade setorial.

Segundo Suzete Suzuki, 57, diretora da ICV, quatro selos já foram emitidos e 60 estão em processo –empresas de até 50 metros quadrados pagam R$ 1.500 pela certificação.

"Toda a auditoria é feita de maneira remota. A empresa envia fotos e vídeos, vai fazendo os ajustes necessários e, depois de obter o selo, continua mandando imagens para comprovar que os protocolos são seguidos", diz Suzuki.

Segundo Lettieri, a obtenção do selo deu trabalho, mas compensou porque ajuda a tranquilizar os pacientes.

"Fizemos mudanças e trabalhamos vestidos como astronautas, mas o retorno dos clientes tem sido muito positivo."

Mesmo para empresas que não queiram obter a certificação, contratar o serviço de sanitização pode ser um diferencial. Mas há cuidados a tomar.

Em primeiro lugar, é fundamental que os produtos químicos sejam aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A entidade informou por email que não faz a regularização de outros procedimentos, como os que usam raios ultravioleta e geradores de ozônio, "Fica sob a responsabilidade das empresas comprovarem a efetividade de suas ações."

O diretor da Abralimp (associação do mercado de limpeza), Carlos Eduardo Mello, aconselha contratar apenas empresas filiadas à entidade –a consulta pode ser feita no site abralimp.org.br.

Mas ele adverte: "A sanitização oferece um grau maior de segurança, mas não dispensa a necessidade de fazer a limpeza de rotina".

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Dólar sobe e petróleo dispara com ataque militar ao Irã; entenda Quem deve declarar o Imposto de Renda 2026? Veja o que se sabe até agora sobre as regras Empresas têm até este sábado para enviar dados salariais por gêneros Receita paga lote da malha fina do Imposto de Renda de fevereiro