Caixa esgota recursos e endurece financiamento da casa própria

Publicado em 11/09/2017, às 08h21

Redação

Responsável por 68% do mercado de financiamento imobiliário no Brasil, a Caixa Econômica Federal tomou recentemente duas decisões que dificultaram o acesso dos brasileiros ao sonho da casa própria.

LEIA TAMBÉM

Em julho, o banco suspendeu a linha de crédito mais barata para o financiamento imobiliário e, depois, derrubou de 90% para 80% o percentual do imóvel que é financiado pela instituição.

Ou seja, aumentou de 10% para 20% o valor mínimo da entrada a ser desembolsada pelo comprador.

O advogado especialista em direito imobiliário Marcelo Tapai afirma que as medidas tomadas recentemente pela Caixa foram motivadas pela falta de dinheiro. Ele observa que o banco estatal chegou na situação atual devido a uma falta de planejamento governamental.

“A falta de dinheiro [na Caixa] ocorre por absoluta desorganização. O governo federal usa a Caixa como instrumento político para fazer anúncios, alavancar uma parte da economia e depois o negócio não funciona. Em dezembro do ano passado, aumentaram o valor do imóvel financiado com o fundo de garantia e agora não se tem dinheiro para o pró-cotista”.

Dados obtidos com exclusividade pelo R7, via Lei de Acesso à Informação, mostram que a linha de crédito pró-cotista teve o segundo melhor semestre da história em contratos firmados (22.344) entre janeiro e junho de 2017 (veja quadro abaixo) — em julho, porém, essa forma de financiamento viria a ser congelada pelo banco.

Esse nível só é inferior aos 30.716 contratos assinados no segundo semestre de 2015.

Na comparação entre o primeiro semestre de 2017 e o mesmo período de 2016, houve aumento de 31,4% nos contratos firmados. Já em relação aos últimos seis meses do ano passado, o banco fechou, na linha pró-cotista, 62,8% contratos a mais nos primeiros seis meses de 2017.

Tapai explica que os financiamentos oferecidos pelo pró-cotista têm que passar por uma liberação prévia do governo. Diante da situação, ele avalia que algo “inesperado” resultou na suspensão da linha.

“O governo calculou mal a quantidade de financiamento que as pessoas iriam precisar e acabou faltando dinheiro. Esse dinheiro do pró-cotista não é o mesmo que a Caixa utiliza para qualquer outra pessoa/’.

Informações preliminares apontam que o governo federal liberou R$ 6,136 bilhões para a manutenção do pró-cotista nos primeiros meses de 2017. Para todo o ano passado, a linha de crédito recebeu R$ 7 bilhões dos cofres públicos.

O professor da EESP (Escola de Economia de São Paulo), da FGV (Fundação Getulio Vargas), Alberto Ajzental avalia que há a possibilidade de a Caixa ter utilizado os recursos que tinha do pró-cotista no momento em que foram solicitados.

“Eu não sei qual é a diferença de você emprestar para todo mundo nos seis primeiros meses do ano ou ficar segurando o dinheiro para o ano inteiro. Tanto faz”, explica.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Por que os custos da morte também devem entrar na conta do mês Cesta básica ficou mais cara em apenas duas capitais; Maceió é uma delas Isenção da “taxa das blusinhas” em compras até US$ 50 é sancionada Novas regras da CNH geram economia de R$ 9,6 bilhões a motoristas em oito meses, diz governo