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Calor pode comprometer medicamentos: veja cuidados e onde não os guardar

Publicado em 12/10/2026, às 16h00
- Guardar os remédios da forma correta ajuda a preservar sua eficácia, principalmente nos dias de calor (Imagem: Boris023 | Shutterstock)

Redação EdiCase

Com as temperaturas elevadas, aumentam os cuidados com hidratação, alimentação e exposição ao sol, mas um ponto pode passar despercebido: a forma de armazenar os medicamentos. Deixá-los no carro, próximos a uma janela, ou mesmo na geladeira sem necessidade, são hábitos que podem comprometer sua qualidade.

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Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a faixa de 15 °C a 30 °C é considerada temperatura ambiente para a conservação desses produtos. Isso não significa, porém, que um remédio necessariamente “estrague” assim que o termômetro ultrapassa os 30 °C. O risco depende de suas características, do calor atingido, do tempo de exposição e das especificações estabelecidas pelo fabricante.

“Cada medicamento passa por estudos que determinam as condições em que mantém sua estabilidade. Por isso, não podemos estabelecer uma temperatura única a partir da qual todo remédio perde o efeito. O mais importante é respeitar as orientações da embalagem e da bula e redobrar a atenção em períodos de calor intenso”, explica Dafne Estevão, farmacêutica do Grupo Farmais.

Produtos que precisam de refrigeração, como determinadas insulinas e alguns injetáveis, demandam cuidado ainda maior. Mas comprimidos, cápsulas e xaropes mantidos em temperatura ambiente também devem ficar protegidos do calor excessivo, da umidade e, quando indicado, da luz.

Para evitar erros comuns, confira cuidados para armazenar os remédios corretamente nos dias mais quentes.

1. Não deixe medicamentos dentro do carro

O porta-luvas pode parecer um lugar prático para manter analgésicos e outros itens de uso eventual. Da mesma forma, quem precisa tomar remédios ao longo do dia pode acabar deixando uma bolsa ou mochila com eles dentro do veículo.

O problema é que o interior de um veículo fechado e exposto ao sol pode atingir temperaturas muito superiores às do ambiente externo, ultrapassando a faixa recomendada para muitos medicamentos. “Mesmo dentro da bolsa ou do porta-luvas, o medicamento continua submetido ao aquecimento do veículo. Por isso, o carro não deve ser usado como local permanente de armazenamento”, alerta Dafne Estevão.

2. Banheiro e cozinha também devem ser evitados

O tradicional “armário de remédios” no banheiro não é uma boa ideia. Além do calor, a umidade pode afetar a conservação dos produtos. O ambiente sofre variações frequentes provocadas pelo banho, enquanto, na cozinha, fogão, forno e outros equipamentos produzem calor e vapor. A melhor alternativa é um armário seco, protegido da luz direta e afastado de fontes de calor, sempre fora do alcance de crianças e animais.

3. Não deixe a “farmacinha” perto da janela

Uma caixa de remédios sobre um móvel próximo à janela também pode ficar exposta a condições inadequadas. Além do aquecimento, determinados produtos precisam ser protegidos da luz. Por isso, a incidência direta do sol deve ser evitada.

Também é importante preservar a embalagem original, que pode exercer papel relevante na proteção contra fatores externos.

Produtos indicados para permanecer em temperatura ambiente não devem ser refrigerados sem recomendação (Imagem: Towfiqu ahamed barbhuiya | Shutterstock)

4. Nem todo medicamento deve ir para a geladeira

Nos dias mais quentes, colocar os remédios na geladeira pode parecer uma solução. Mas temperaturas mais baixas não significam, necessariamente, melhor conservação. A Anvisa orienta que produtos indicados para permanecer em temperatura ambiente não sejam refrigerados sem recomendação na embalagem ou na bula.

“Esse é um erro comum. Ao perceber que a casa está quente, a pessoa decide colocar todos os medicamentos na geladeira para protegê-los. Só que cada produto tem requisitos específicos. A refrigeração só deve ser adotada quando houver essa orientação”, esclarece a farmacêutica.

5. Medicamentos refrigerados exigem atenção redobrada

Da mesma forma que não se deve refrigerar qualquer remédio, medicamentos que exigem refrigeração precisam seguir rigorosamente as orientações de conservação. Algumas insulinas, medicamentos biológicos e outros injetáveis têm faixas específicas. Em certos casos, as recomendações também mudam depois que o produto é aberto ou começa a ser utilizado.

Em viagens e deslocamentos, também não basta colocá-lo em contato direto com gelo. O transporte deve respeitar as instruções do fabricante.

6. Não retire o medicamento da embalagem original sem necessidade

Organizar comprimidos em potes pode facilitar a rotina, mas a embalagem original não serve apenas para identificar o produto. Dependendo do remédio, ela ajuda a protegê-lo da umidade, da luz e de outros fatores ambientais. Ao descartá-la, o consumidor também perde acesso fácil a informações importantes, como lote, validade e instruções de armazenamento.

O Ministério da Saúde recomenda manter os medicamentos nas embalagens originais. Quem precisa organizar doses, principalmente quando utiliza vários produtos, pode pedir orientação ao farmacêutico sobre a maneira mais adequada de fazer isso.

Mudança de cor, cheiro ou textura é sinal de alerta

Comprimido esfarelando, cápsula deformada, líquido com aparência diferente ou alteração no cheiro são sinais que merecem atenção. “Qualquer mudança perceptível em relação ao aspecto habitual é motivo para buscar orientação antes do uso. Mas há outro ponto importante: o medicamento pode ter sido submetido a condições inadequadas mesmo sem apresentar alterações visíveis”, explica a especialista. Por isso, a aparência, sozinha, não é suficiente para garantir que o produto manteve sua estabilidade após uma exposição significativa ao calor.

Esqueceu o medicamento no calor? Não tente adivinhar se ainda pode usá-lo

Imagine perceber, no final do dia, que uma caixa de remédios ficou durante horas dentro de um carro estacionado. É preciso jogar tudo fora? Não necessariamente. Mas também não é indicado continuar o uso sem antes verificar a situação.

O primeiro passo é consultar a embalagem ou a bula para conferir a forma correta de armazenamento. Também é importante considerar quanto tempo o produto ficou exposto e em que circunstâncias.

“Não existe uma resposta única. Cinco minutos fora da temperatura recomendada representam uma situação muito diferente de várias horas dentro de um carro sob o sol. Em caso de dúvida, o farmacêutico pode ajudar a avaliar o caso e, dependendo do medicamento, também pode ser necessário consultar o fabricante”, orienta Dafne Estevão.

Por Valeska Quintela

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