Câmara informa ao STF sobre falsa acusação contra Alfredo Gaspar

Publicado em 10/08/2026, às 17h30

Flávio Gomes de Barros

Do portal "O Antagonista":

LEIA TAMBÉM

“A presidência da Câmara dos Deputados enviou para o Supremo Tribunal Federal (STF) a integra do depoimento do comerciante Luiz Antonio Lopes, que denunciou uma suposta trama destinada a fabricar uma acusação de estupro contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), hoje vice na chapa de Flávio Bolsonaro.

O depoimento do ‘homem-bomba’ está nas mãos do ministro Gilmar Mendes.

Como mostramos mais cedo, a trama envolveria diretamente o deputado federal Lindbergh Farias (PT), ex-líder do PT na Câmara e um dos principais integrantes da tropa de choque governista. Em resposta nas redes sociais, o petista classificou a denúncia do comerciante como ‘picaretagem’.

Parte inferior do formulário

Em 27 de março deste ano, o Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) levaram à Polícia Federal uma notícia de fato contra o parlamentar, acusando-o de estupro de vulnerável e tentativa de ocultação dos fatos no último dia de sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Gaspar negou a acusação. Hoje, o caso está em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes.

O caso começou a ser descoberto em 14 de abril, quando a assessora de Gaspar, Marise Pena, relatou à Polícia Legislativa ter recebido uma ligação de uma pessoa identificada como Luiz Antonio Lopes. Segundo ela, o homem afirmou ter conhecimento de uma armação envolvendo uma jovem que assumiria identidade falsa e receberia dinheiro para sustentar uma história de abuso sexual contra o parlamentar.

Lopes, em 23 de abril, confirmou em depoimento à Polícia Legislativa que conheceu uma jovem chamada Marcela – identificada como Marcela Maria Mendes -, que teria sido orientada a se apresentar como ‘Jailma’, suposta mulher de origem nordestina que teria sido abusada por um político quando adolescente e engravidado em decorrência do crime.

Marcela fora convencida, segundo Lopes, por um suposto assessor parlamentar de nome Lucas, ligado à prefeitura de Nova Iguaçu, berço político de Lindbergh.

O depoente afirmou ainda que sua própria conta bancária foi utilizada para receber valores destinados a Marcela. Foram três supostos pagamentos: um de 10 mil reais, um de 4 mil reais e um terceiro de 2,5 mil reais. Dois deles, foram comprovados. O de 10 mil reais e outro de 2,5 mil reais.

Chama a atenção no depoimento é que um desses pagamentos feitos a Marcela, o de 4 mil reais, por intermédio de Lopes teria ocorrido pela conta de Carlos Roberto Lopes, presidente da Conafer. Carlos Roberto chegou a ser preso por determinação da CPMI do INSS por mentir ao colegiado.

No depoimento, Luiz Antônio Lopes narra que Marcela chegou a fazer uma reunião pelo Google Meet em que supostamente teria a participação de Lindbergh Farias.

A suposta participação do PT no episódio

‘Marcela viabilizou uma reunião virtual realizada por meio da plataforma Google Meet, ocasião em que estavam presentes o próprio Lindbergh Farias, Carlos Roberto Lopes, um vereador de Nova Iguaçu/RJ conhecido como ‘Toninho da Padaria’, além de outras pessoas não identificadas; QUE, durante essa reunião, Marcela cobrou o pagamento que lhe havia sido prometido, tendo sido informada de que o valor seria providenciado, o que de fato ocorreu por meio de terceiros; QUE os pagamentos eram feitos, em regra, por outras pessoas, aparentemente para evitar que os principais envolvidos figurassem diretamente nas transações; QUE, segundo sua percepção, o declarante acredita que Lindbergh Farias parecia ter ciência do contexto tratado nas reuniões e integraria o conjunto de pessoas que discutiam os desdobramentos da narrativa’, aponta o boletim de ocorrência registrado por Luiz Antonio Lopes.

‘Quando Lindbergh Farias levou adiante a acusação pública ao longo dos trabalhos da CPMI, caiu a ficha para o denunciante sobre a efetiva  trama em curso; QUE o plano, conforme compreendeu, consistia em apresentar a falsa vítima Marcela, sob o nome de ‘Jailma’ e, num segundo momento, fazê-la desaparecer, para depois sustentar publicamente que o relator da CPMI do INSS teria mandado sumir com ela, aprofundando a suspeita e o desgaste político’, acrescenta o boletim de ocorrência.

A reação de Lindbergh Farias

O ex-líder do PT reagiu à reportagem de O Antagonista sobre o depoimento.

Em resposta à publicação, Lindbergh classificou o depoimento como uma ‘picaretagem’ e negou conhecer as pessoas citadas ou ter participado de reuniões para tratar de qualquer acusação contra Gaspar.

‘Isso é uma picaretagem. Desconheço os citados e a suposta investigação da Polícia Legislativa. Não conheço os envolvidos e não participei de reuniões para tratar desse assunto.’

A investigação ainda está em curso na Polícia Legislativa do DF.”

 

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Ex-chefe do Iprev Maceió comprou carro e casa em espécie, diz jornal “Quem está por trás disso?", indaga Rui Palmeira sobre ação no IPREV Quais os efeitos políticos da ação da Polícia Federal no IPREV? Um inesperado reforço para Davi Davino na campanha ao Senado