Caminhoneiros fazem bloqueio parcial na Dutra e dois são presos

Publicado em 10/12/2018, às 21h43
Zanone Fraissat/Folhapress -

Folhapress

Caminhoneiros interditaram parcialmente na madrugada desta segunda-feira (10) a rodovia Presidente Dutra (BR-116), no sul do estado do Rio de Janeiro, e fizeram um protesto no porto de Santos (SP).

LEIA TAMBÉM

As pistas foram liberadas à tarde. Houve confusão e dois manifestantes foram detidos.

Os protestos ocorreram após o ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), conceder na semana passada liminar impedindo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) de multar transportadores que não seguirem os fretes rodoviários mínimos.

A tabela foi a saída encontrada pelo governo Michel Temer para pôr fim às manifestações de maio, que pararam o país.

Nesta segunda, os caminhoneiros bloquearam a Dutra em dois trechos, entre Barra Mansa e Porto Real.

Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), a manifestação começou por volta de 5h25 no km 274 da via, e veículos de carga eram obrigados a retornar no sentido de São Paulo, provocando aglomeração na pista.

Alguns veículos foram veículos retidos, segundo a polícia. Em Porto Real, a interdição foi no km 290, informou a PRF.

Segundo a CCR, em Pindamonhangaba (SP), no km 92, tanto no sentido Rio, quanto no sentido São Paulo, houve manifestantes parados, mas estavam em postos de serviços e pelo acostamento, sem interromper o tráfego.

Às 11 horas, os caminhoneiros deixaram o local.

A Dutra é uma das principais e mais movimentadas estradas do país, já que liga as duas maiores cidades brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, atravessando regiões com grande concentração de indústrias.

Ao final da manifestação, a polícia flagrou três pessoas arremessando pedras contra caminhoneiros que não aderiam ao movimento.

Duas delas foram presas, e a outra conseguiu fugir. Segundo a PRF, três caminhões foram danificados por causa das pedradas. Os presos disseram à polícia que faziam parte do protesto.

No porto de Santos, segundo a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), não houve bloqueio das vias, e os motoristas apenas conversavam com outros caminhoneiros, sem impedi-los de continuar percurso.

"A Polícia Militar e a Guarda Portuária compareceram ao local e mantiveram a normalidade no fluxo de caminhões destinados ao Porto de Santos", afirmou a Codesp, em nota.

Apesar do movimento desta segunda, no domingo (9), em reunião comandada por Wallace Landin, conhecido como Chorão e um dos principais representantes do setor, líderes do movimento decidiram não aderir a uma eventual nova paralisação da categoria.

Em reunião em Catalão (GO), houve consenso de que este não era o melhor momento para uma nova paralisação. Ao grupo, Chorão disse que a decisão não cabia a ele, e sim a todos os presentes.

Entre os motivos apontados pelos participantes para não parar agora, estão a promessa de que a AGU (Advocacia-Geral da União) entrará com recurso contra a liminar de Fux e a iminente posse do governo de Jair Bolsonaro (PSL), do qual esperam boa vontade.

O tabelamento de fretes foi uma das medidas adotadas pelo governo na esteira da histórica greve de maio, que afetou a economia do país como um todo. O setor empresarial considera tal medida como inconstitucional.

Fux proibiu a ANTT de aplicar multas.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Vídeo: criança fica com farpa de madeira presa nas amígdalas após comer carne moída Bolsonaro apresenta piora da função renal, diz boletim médico Troca de advogado de Vorcaro sinaliza possível delação premiada Polícia fecha centro de treinamento do CV para adolescentes em ilha de área indígena