Captação fica difícil para empresas de países emergentes

Publicado em 03/09/2015, às 07h57
-

Redação


As empresas de países emergentes vão encontrar um cenário mais difícil para captar recursos nos próximos meses, principalmente por causa da alta de juros nos Estados Unidos e da expectativa de volatilidade alta no mercado financeiro internacional. 


As companhias têm US$ 1,3 trilhão em dívidas vencendo até 2020 e parte importante vai precisar de refinanciamento, de acordo com estimativas do Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos maiores bancos do mundo. Só em 2016, são quase US$ 300 bilhões em bônus vencendo.


Brasil, China, Rússia, México, Índia e Coreia do Sul são os países emergentes onde as companhias mais se endividaram em moeda estrangeira, sobretudo dólar, desde a crise de 2008, apontam estudos do IIF e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que têm alertado para os riscos dos aumentos desses passivos. 


Na sua última agenda de políticas econômicas, o FMI avalia que o aumento dos passivos em dólar de empresas no Brasil e outros emergentes cria riscos para a estabilidade financeira desses mercados.


O IIF calcula que a dívida das empresas não financeiras dos países emergentes passou de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 para 80% atualmente, por conta do acesso fácil ao mercado externo, com juros próximos de zero nos países desenvolvidos e com investidores à procura de papéis com retorno mais alto. 


"Rolar esses montantes será muito mais desafiador em um ambiente com mercados mais voláteis e menos líquidos", afirmam os economistas do IIF em um relatório.


A alta de juros nos Estados Unidos, mesmo que seja um fenômeno gradual, deve encarecer os custos de captação das empresas no mercado internacional, alertam economistas do FMI. Além disso, a desaceleração da China, que pode reduzir o ritmo de crescimento da economia mundial, afeta diretamente as operações de algumas grandes companhias de países emergentes, exportadoras para o país asiático, que passam a contar com menos receita em moeda estrangeira.


O jornal The New York Times citou em reportagem recente os problemas que vêm sendo enfrentados pela Vale, que tem sido obrigada a se desfazer de ativos para lidar com a queda dos preços do minério de ferro. 


Proteção


Já o IIF chama a atenção para que parte da dívida das companhias de emergentes pode não estar "adequadamente protegida" dos riscos crescentes das oscilações das moedas, o que aumenta os riscos de falências de empresas por causa da valorização do dólar frente às principais moedas do mundo, das quais o real brasileiro vem sendo uma das que mais perdeu valor em 2015.


Além de afetar a atividade econômica de países exportadores de commodities e as operações das empresas, a desaceleração da China, se ocorrer em ritmo mais forte que o esperado, pode manter elevada a volatilidade no mercado financeiro, o que dificulta ainda mais a emissão de bônus no exterior.


"Os investidores continuam inquietos e propensos ao pessimismo", afirma o estrategista da gestora de recursos Nuveen Asset Management, Robert Doll. 


Ele destaca que o apetite por risco se reduz neste contexto. "A volatilidade deve permanecer elevada", prevê.



Fonte: Agência Estado


Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Pé-de-Meia paga incentivos a alunos nascidos em setembro e outubro Limite de renda para financiamento do Minha Casa, Minha Vida vai aumentar; veja faixas Dólar sobe e petróleo dispara com ataque militar ao Irã; entenda Quem deve declarar o Imposto de Renda 2026? Veja o que se sabe até agora sobre as regras