Denúncia da PGR amplia riscos de prisão de Bolsonaro

Publicado em 22/02/2025, às 14h00

Flávio Gomes de Barros

 

LEIA TAMBÉM

Por Sílvio Cascione:

“A formalização da denúncia contra Jair Bolsonaro pela Procuradoria-Geral da República reforça a alta probabilidade de que o ex-presidente seja condenado e preso nos próximos anos. A acusação, que inclui também o ex-vice presidente Walter Braga Netto e ex-comandantes militares, não trouxe grandes novidades, já que todos os implicados vinham sendo investigados, com alguns já em prisão preventiva.

Mesmo negando as acusações e alegando despreocupação, Bolsonaro enfrenta um cenário altamente desfavorável.

Com o ministro Alexandre de Moraes à frente do processo no Supremo Tribunal Federal, a admissibilidade da denúncia deve ser decidida em poucos meses, dando início ao julgamento na Primeira Turma do STF.

A chance de condenação é alta, salvo eventuais questões processuais que possam gerar reviravoltas, pois a maioria dos ministros já manifestou críticas às tentativas de Bolsonaro de desacreditar as eleições. Recursos da defesa devem empurrar o desfecho do caso para o primeiro semestre de 2026, intensificando a tensão política no Brasil.

É provável que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifeste apoio a Bolsonaro, provocando reações adversas no governo Lula e dificultando negociações bilaterais, como as tarifas sobre o aço e o alumínio. No entanto, qualquer tentativa de pressão externa dificilmente mudará a situação de Bolsonaro no STF e pode até tornar o tribunal mais coeso em sua determinação de processar os acusados de tentativa de golpe.

Diante desse cenário, Bolsonaro tende a se apoiar ainda mais em sua base fiel, que continua sendo sua maior força política. A pesquisa eleitoral mais recente, da Paraná, mostra o ex-presidente com 18% das intenções espontâneas de voto; qualquer nome indicado por ele terá grandes chances de ir ao segundo turno.

Com a alta probabilidade de ele ser impedido de concorrer pelo Judiciário, Eduardo Bolsonaro desponta como seu herdeiro político natural, relegando figuras como Tarcísio de Freitas a um papel secundário.

Embora a escolha de um sucessor possa reservar surpresas, a inelegibilidade do ex-presidente parece quase certa. Cabe notar que nenhum parente de Bolsonaro foi incluído na denúncia da PGR, o que facilita sua estratégia de transferência de capital político para alguém de sua família, garantindo total lealdade.”

 

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Professora da Ufal conquista outra premiação nacional Duas más notícias para a Braskem Caso do Banco Master dá um bom palanque a Renan "Carnaval: a poesia e a música em festa", hoje, na Academia de Letras