Caso Braskem: Justiça Federal determina inspeção que pode ampliar área de realocação

Publicado em 01/07/2025, às 18h13
- Ufal

TNH1

A Justiça Federal determinou a realização de uma inspeção judicial no bairro Bom Parto, em Maceió, após requerimento da Defensoria Pública, que foi acionada por vítimas da tragédia ambiental provocada pela Braskem. A informação foi divulgada pelo coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva, Ricardo Melro, que acompanha de perto os danos causados pela empresa na capital alagoana.

LEIA TAMBÉM

A inspeção está marcada para o próximo dia 22 de julho, às 15h, e contará com a participação da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM).

Segundo Ricardo Melro, a vistoria será essencial para que o Judiciário compreenda in loco a gravidade da situação enfrentada por moradores de imóveis que apresentam afundamentos, rachaduras, trincas e fissuras. “Nosso pedido é claro: que toda a zona classificada como Criticidade 01 seja contemplada no plano de realocação, não apenas o bairro Bom Parto, mas também outras áreas severamente afetadas, como a Rua Marquês de Abrantes”, afirmou.

De acordo com ele, a Defensoria já anexou ao processo um extenso material probatório com vídeos, imagens e reportagens que documentam a deterioração dos imóveis..

Após a inspeção, a Justiça irá avaliar o pedido de ampliação da área de realocação, incluindo a chamada zona de Criticidade 1.

Caso Braskem

O problema na região é antigo. Desde a década de 1970, pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) já alertavam para os riscos da exploração de sal-gema feita pela Braskem em Maceió.

Em 2018, surgiram as primeiras rachaduras de grande extensão em ruas e imóveis. Diante do risco iminente de colapso do solo, a Braskem foi obrigada a evacuar os moradores das áreas afetadas.

Desde então, mais de 14 mil imóveis foram desocupados, afetando cerca de 55 mil pessoas, segundo dados da prefeitura.

Investigações

O caso passou a ser investigado oficialmente pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) ainda em 2018. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), até a divulgação do relatório técnico, havia 35 poços de extração de sal-gema em áreas urbanas.

Cientistas que estudaram o caso afirmam que o tremor de terra registrado em 2018 foi provocado pelo desmoronamento de uma dessas cavidades subterrâneas.

Em dezembro de 2023, uma delas, a mina 18, se rompeu em um trecho da Lagoa Mundaú. Na época, a Prefeitura de Maceió divulgou que a cavidade tinha um volume de 116 mil metros cúbicos.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

TJ de Alagoas alerta população sobre golpe do precatório STJ determina afastamento de ministro Marco Buzzi após acusação de importunação sexual Justiça de Alagoas marca julgamento do caso Davi após mais de uma década Justiça proíbe 14 integrantes de torcida organizada de comparecer a partidas do CSA