Caso Mônica: Justiça suspende júri e devolve processo à Comarca de São José da Tapera

Publicado em 21/05/2026, às 16h41
- Arquivo TNH1

Yasmin Gregorio*

Ler resumo da notícia

O julgamento de Leandro Pinheiro Barros, acusado de matar a tiros a esposa Mônica Gomes Cavalcante Alves, de 26 anos, não será mais realizado, por enquanto, em Arapiraca. A sessão do Tribunal do Júri foi retirada da pauta e o caso retornará para a Comarca de São José da Tapera após a defesa do réu apresentar um recurso de apelação contra uma decisão proferida, anteriormente, nos autos do processo.

LEIA TAMBÉM

A suspensão do Tribunal do Júri, que estava marcado para o dia 18 de agosto, foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico desta quarta-feira (20). A decisão é assinada pelo juiz Rômulo Vasconcelos de Albuquerque, da 5ª Vara Criminal de Arapiraca.

Nos autos, o magistrado menciona que o desaforamento do caso — medida utilizada para transferir o julgamento para outra comarca em razão da repercussão do crime —o impede de analisar recursos da defesa do réu. Ele ainda cita que a 5ª Vara Criminal havia recebido o processo exclusivamente para realizar o júri popular.

"A competência deste Juízo foi fixada tão somente para a prática do ato específico para o qual os autos foram aqui aportados a realização do Júri Popular não lhe assistindo atribuição para conhecer e decidir sobre questões processuais outras, sob pena de usurpação de competência do Juízo natural da causa. Nesse sentido, é assente na doutrina e na jurisprudência que o Juízo desaforado não se converte em Juízo natural do feito, conservando o Juízo de origem sua competência para todos os atos que não se refiram, direta e exclusivamente, à sessão do Tribunal do Júri", cita Albuquerque.

Com isso, o processo deixará temporariamente a 5ª Vara Criminal de Arapiraca e retornará para a Vara do Único Ofício de São José da Tapera, cidade onde o feminicídio aconteceu e onde a ação teve início. Já o magistrado ficará responsável apenas pela condução da sessão do júri popular. 

"Superado o objetivo do desaforamento seja pela realização do julgamento, seja por circunstância que o impeça , impõe-se o retorno dos autos ao Juízo de origem. Diante disso, verificando que a interposição do recurso de apelação pela defesa torna inviável, por ora, a realização da sessão do Tribunal do Júri neste Juízo, e que competir ao Juízo natural da causa Vara do Único Ofício da Comarca de São José da Tapera", completou o magistrado.

Após a decisão, o processo foi retirado da pauta do Tribunal do Júri e a sessão prevista para o para o mês de agosto foi cancelada. Agora, o recurso deverá ser analisado antes que o caso volte novamente à fase de organização do julgamento.

RELEMBRE O CASO

O feminicídio de Mônica Gomes Cavalcante Alves, de 26 anos, chocou Alagoas em junho de 2023 e teve grande repercussão dentro e fora do estado.

A jovem foi morta a tiros em via pública e teve o corpo abandonado em frente ao fórum de São José da Tapera. Horas antes do assassinato, Mônica havia gravado um vídeo relatando viver um relacionamento abusivo marcado por agressões físicas e psicológicas.

Nas imagens, registradas enquanto caminhava sozinha e aparentemente assustada por uma área escura, ela relatava estar tentando se esconder do companheiro e chegou a afirmar que, caso fosse encontrada morta, o responsável seria o marido.

Segundo as investigações, Mônica e Leandro haviam participado de uma festa no dia do crime. Após uma discussão, ele teria retornado à residência do casal, buscado uma arma de fogo e voltado para executá-la.

Depois do feminicídio, Leandro fugiu do país e permaneceu foragido por cerca de dez meses, até ser localizado em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Posteriormente, ele foi preso e transferido para Alagoas.

O Ministério Público de Alagoas chegou a pedir o desaforamento do julgamento, argumentando que a forte repercussão do caso e o círculo de amizades do acusado em São José da Tapera poderiam comprometer a imparcialidade dos jurados.

Leandro responde por homicídio triplamente qualificado, incluindo feminicídio, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.

*Estagiária sob supervisão

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Prefeitos alagoanos encerram participação na Marcha a Brasília com foco no fortalecimento da gestão municipal Ministério da Saúde lança em Penedo (AL) carreta de exames de imagem para diagnóstico precoce de doenças CBMAL divulga calendário da Taxa de Bombeiros 2026 e amplia arrecadação em novos municípios Procon Alagoas notifica escolas de Maceió sobre novas regras de alimentação saudável