Theo Chaves
Leandro Pinheiro Barros, acusado de assassinar a tiros a própria esposa, Mônica Gomes Cavalcante Alves, em São José da Tapera, no interior de Alagoas, será levado a júri popular no dia 9 de novembro. A nova data foi definida após o julgamento, que inicialmente estava marcado para o dia 18 de agosto, ter sido suspenso pela Justiça de Alagoas.
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Em maio deste ano, o júri foi retirado da pauta após a defesa do réu recorrer de uma decisão judicial. À época, o juiz Rômulo Vasconcelos de Albuquerque, da 5ª Vara Criminal de Arapiraca — onde ocorrerá o Tribunal do Júri —, explicou que não poderia analisar os recursos da defesa devido ao pedido de desaforamento do processo.
Após a decisão, o processo deixou temporariamente a 5ª Vara Criminal e retornou para a Vara do Único Ofício de São José da Tapera, cidade onde o feminicídio aconteceu e onde a ação teve início, para análise do recurso da defesa.
Na decisão dessa última terça-feira (16), além de definir a nova data do júri, o magistrado determinou a adoção das providências administrativas necessárias para a realização da sessão, incluindo o pedido de fornecimento de alimentação aos participantes e a solicitação de apoio da Polícia Militar para garantir a segurança do local.
RELEMBRE O CASO
O feminicídio de Mônica Gomes Cavalcante Alves, de 26 anos, chocou Alagoas em junho de 2023 e teve grande repercussão dentro e fora do estado.
A jovem foi morta a tiros em via pública e teve o corpo abandonado em frente ao fórum de São José da Tapera. Horas antes do assassinato, Mônica havia gravado um vídeo relatando viver um relacionamento abusivo marcado por agressões físicas e psicológicas.
Nas imagens, registradas enquanto caminhava sozinha e aparentemente assustada por uma área escura, ela relatava estar tentando se esconder do companheiro e chegou a afirmar que, caso fosse encontrada morta, o responsável seria o marido.
Segundo as investigações, Mônica e Leandro haviam participado de uma festa no dia do crime. Após uma discussão, ele teria retornado à residência do casal, buscado uma arma de fogo e voltado para executá-la.
Depois do feminicídio, Leandro fugiu do país e permaneceu foragido por cerca de dez meses, até ser localizado em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Posteriormente, ele foi preso e transferido para Alagoas.
O Ministério Público de Alagoas chegou a pedir o desaforamento do julgamento, argumentando que a forte repercussão do caso e o círculo de amizades do acusado em São José da Tapera poderiam comprometer a imparcialidade dos jurados.
Leandro responde por homicídio triplamente qualificado, incluindo feminicídio, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
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