Cenas de tortura são transmitidas pelo Facebook e levam à prisão de 4 pessoas nos EUA

Publicado em 05/01/2017, às 20h41

Redação

Um jovem aparece agachado em um canto. Suas mãos e pescoço estão amarrados com um suspensório laranja e a boca, amordaçada com uma fita.

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Dois homens então cortam as mangas de sua camisa com facas e se revezam batendo nele, o que inclui golpes na cabeça. Eles também cortam seu cabelo e parte do seu couro cabeludo até que comece a sangrar.

Durante o espancamento, os agressores gritam, riem, fazem piadas, fumam e escutam música. Enquanto isso, a vítima permanece sentada no chão, imóvel.

Essa tortura foi transmitida em vídeo ao vivo por 30 minutos no Facebook, algo que a polícia de Chicago, nos Estados Unidos, classificou como um feito "repugnante".

A vítima do ataque é um deficiente físico e, segundo autoridades, quatro pessoas foram presas suspeitas de participação no crime - dois homens e duas mulheres.

Durante o vídeo, é possível escutar os agressores gritando insultos contra pessoas brancas e o presidente eleito do EUA, Donald Trump.

Brutalidade

O caso está sendo considerado como um possível crime de ódio.

"Faz você pensar o que poderia fazer uma pessoa tratar alguém dessa maneira", afirmou o Superintendente da Polícia de Chicago, Eddie Johnson, em entrevista à imprensa.

"Eu sou policial há 28 anos e já vi coisas que vocês nem imaginam no dia a dia, mas ainda me impressiona como você ainda consegue se deparar com situações que são impossíveis de entender."

A polícia diz que a vítima, um jovem branco cujo nome não foi divulgado, era conhecida de um dos agressores e pode ter sido sequestrada pelo grupo até 48 horas antes do ataque.

Ele já obteve alta do hospital, mas ficou traumatizado com a agressão.

Aos jornalistas, oficiais elogiaram a resposta rápida da polícia ao se deslocar para resgatar a vítima.

Denúncias

Durante 30 minutos da transmissão no Facebook, é possível ver um grupo de jovens bebendo, fumando e rindo, enquanto a vítima fica petrificada, amarrada e aterrorizada.

Em outros vídeos publicados, o jovem é golpeado e forçado a beber água de um vaso sanitário enquanto os agressores o ameaçam com uma faca e o obrigam a dizer: "Amo as pessoas negras".

O chefe da polícia Kevin Duffin disse que a investigação busca entender se a agressão foi motivada por um crime de ódio.

"São jovens adultos, e eles tomaram uma decisão estúpida", afirmou o policial. Segundo ele, o grupo será investigado para determinar "se o discurso foi sincero ou apenas um ataque de delírio estúpido", disse.

O incidente ocorreu na terça em um apartamento em Chicago. Os policiais encontraram a vítima perambulando pela rua em um estado de desorientação e angústia depois da agressão na terça-feira.

Os agentes foram até o local depois de ter ouvido denúncias sobre um ataque naquela região - quando chegaram, descobriram os sinais de violência e danos à propriedade.

Segundo James Cook, correspondente da BBC na América do Norte, apesar de o incidente ser impactante, a violência cometida por gangues é comum em Chicago, onde foram registrados 762 assassinatos no ano passado - mais do que em Nova York e Los Angeles juntas.

Violência desenfreada

Na mesma terça-feira, um juiz condenou vários líderes da temida supergangue Hobos, acusados de criar um "império de medo" para manter um vasto negócio de drogas.

Eles aterrorizavam as comunidades com ameaças, sequestros, torturas e roubos. Armas potentes eram usadas nos ataques.

Uma vez, abriram fogo contra uma vítima em um berçário. Em outras ocasiões, em uma festa de rua no bairro e em uma funerária.

Depois de um longo julgamento que durou 15 semanas - e centenas de testemunhas -, seis membros da Hobos foram considerados culpados por crimes de conspiração, algo que pode significar prisão perpétua no Estado.

O processo se desenrolou em meio à crescente violência nas ruas de Chicago, uma realidade que virou até tema da eleição presidencial nos EUA.

Em seus discurso e tuítes, Donald Trump destacou o fato de que o aumento da criminalidade e divisão racial está acontecendo na cidade onde o presidente Barack Obama trabalhou como ativista e depois como senador.

O correspondente da BBC pondera, porém, que o presidente eleito enfrentará o desafio de transformar suas palavras críticas em ação prática.

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