Cessar-fogo: Trump diz que tropas dos EUA vão deixar o Irã 'muito rapidamente'

Publicado em 01/04/2026, às 11h00
- Reprodução/Casa Branca

g1

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (1º) que as Forças Armadas dos EUA devem deixar o Irã "muito rapidamente". A declaração foi feita em entrevista telefônica à agência Reuters.

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Questionado pela agência sobre quando isso ocorreria, o republicano não informou uma data para deixar o país do Oriente Médio, mas afirmou que os EUA poderiam retornar para "ataques pontuais", se necessário.

A entrevista foi realizada horas antes do pronunciamento que o republicano vai fazer à nação na noite desta quarta (1º). Segundo a agência, Trump deve abordar seu descontentamento com a Otan pelo que considera a falta de apoio da aliança aos objetivos dos EUA no Irã.

"Eles não foram nossos amigos quando precisamos deles", disse Trump na entrevista. "Nunca pedimos muito a eles é uma via de mão única".
Ainda na conversa com a Reuters, o republicano afirmou que há chance de um acordo com o novo regime iraniano.

Trump também afirmou que os EUA impediram que o Irã tivesse armas nucleares. "Eles não terão uma arma nuclear porque são incapazes disso agora", disse.

Quanto ao urânio enriquecido que o Irã ainda possui, Trump disse: "Está tão fundo no subsolo que não me importo com isso."

"Sempre estaremos acompanhando por satélite", disse ele.

"Houve uma mudança completa de regime", disse ele. "Estou lidando com uma chance muito boa de chegarmos a um acordo, porque eles não querem mais ser atacados".

Cessar-fogo

Mais cedo nesta quarta (1º), Trump disse que o Irã pediu um cessar-fogo na guerra entre os dois países, que está no 2º mês.

"O presidente do novo regime do Irã, muito menos radicalizado e muito mais inteligente do que seus antecessores, acaba de pedir um CESSAR-FOGO aos Estados Unidos da América! Vamos considerar [a proposta] quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desobstruído. Até lá, estamos bombardeando o Irã até sua completa destruição ou, como se diz, de volta à Idade da Pedra!!!", afirmou Trump em publicação no Truth Social.

O Irã não se manifestou publicamente sobre ter feito a proposta mencionada por Trump até a última atualização desta reportagem. Teerã tem negado estar negociações diretas com os EUA e já havia recusado uma proposta de cessar-fogo feita por Washington na semana passada, quando apresentou uma contraproposta —à qual o governo Trump não se manifestou sobre.

Trump condicionou o aceite à proposta iraniana à abertura do Estreito de Ormuz, importante via para o comércio mundial de petróleo e que o Irã fechou no início da guerra. Apesar do líder norte-americano ter mencionado "presidente do novo regime", em sintonia com falas recentes de que houve mudança de regime no Irã por conta da guerra, não está claro sobre qual interlocutor Trump se refere. Isso porque o presidente iraniano não mudou, continua sendo o Masoud Pezeshkian.

A publicação mais recente de Trump sobre a guerra contra o Irã ocorre em meio a uma tática contraditória de alternar falas indicando que o fim do conflito está próximo com ameaças de novas escaladas militar —como, por exemplo, uma invasão terrestre— caso um acordo não seja alcançado rapidamente.

O jornal norte-americano "The Wall Street Journal" revelou nesta semana que Trump está avaliando terminar a guerra contra o Irã mesmo com o Estreito de Ormuz ainda fechado. Por outro lado, nos últimos dias, Trump disse que "obliterará" infraestrutura vital do Irã e a ilha de Kharg caso não haja acordo e vem acumulando tropas no Oriente Médio para uma eventual invasão terrestre.

Nas últimas horas, Trump disse que os EUA deixarão o Irã "muito em breve" e estima que o conflito dure "mais duas ou três semanas". Ele também afirmou que não precisa necessariamente de um acordo de cessar-fogo para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Também nesta quarta-feira, Trump voltou a fazer ameaças a aliados da Otan, dizendo que considera "seriamente" retirar os EUA da aliança militar. O presidente norte-americano tem tensionado as relações com os europeus nas últimas semanas por conta de uma recusa a enviar navios de guerra para reabrir o Estreito de Ormuz.

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