Chefe do tráfico na Rocinha, Rogério 157 negociou rendição, mas desistiu após cerco militar

Publicado em 25/09/2017, às 15h02

Redação

Familiares de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, um dos protagonistas da disputa entre grupos rivais pelo controle do tráfico de drogas na Rocinha, favela da zona sul do Rio de Janeiro, negociaram a rendição do criminoso até a tarde da última sexta-feira (22), segundo informou nesta segunda-feira (25) ao UOL o delegado da Polícia Federal Carlos Eduardo Thome.

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No entanto, a mando do traficante, os parentes abandonaram as tratativas depois que as Forças Armadas e a Polícia Militar iniciaram, por volta das 17h de sexta, o cerco à comunidade. Na ocasião, as forças de segurança subiram a favela com mais de 1.000 homens e tanques do Exército.

De acordo com o delegado, Rogério se sentiu "acuado" e "temeroso" em relação a possíveis confrontos com os militares. "Ele teve medo de morrer na mata e não ter chance de se entregar", afirmou Thome.

O delegado da PF explicou que agentes da DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal), comandada por ele, chegaram a se posicionar nos arredores da Rocinha à espera da conclusão das negociações. E observou que, caso os familiares do criminoso queiram retomar a negociação, a PF está à disposição. "Eles podem nos procurar."

O delegado também confirmou que os interlocutores foram direto à Polícia Federal, sem passar pela PM ou pela Polícia Civil. Na opinião dele, os parentes de Rogério entendiam que se tratava de uma opção mais segura para o próprio criminoso.

O Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) está nesta segunda-feira no Morro do Turano, no Rio Comprido, zona norte do Rio de Janeiro. O morro dá acesso para a mata da Floresta da Tijuca, onde a polícia suspeita que criminosos envolvidos nos confrontos na Rocinha tenham utilizado como rota de fuga. Na Rocinha, o Batalhão de Choque da Polícia Militar faz operação e equipes das Forças Armadas continuam no local. A capital fluminense tem ao menos 5.923 alunos sem aula em razão das operações.

"Ele não quer perder o controle", diz delegado da Polícia Civil

Rogério 157 está foragido, mas há pistas de que ele teria retornado à Rocinha no sábado (23), de acordo com a polícia.

Um dia antes, na ocasião do cerco militar, ele havia fugido pela mata que circunda a comunidade. O retorno do traficante ocorreu por volta das 4h de sábado, depois de integrantes de sua facção sequestrarem um táxi.

Um grupo de homens armados ordenou que o motorista (que teve a identidade preservada) os levasse ao Horto para que lá pegassem Rogério e o traficante Jaílson Barbosa Marinho (o "Jabá", braço direito de Rogério) para que novamente voltassem à Rocinha.

O carro chegou a ser parado por um bloqueio de policiais militares, houve troca de tiros e os ocupantes conseguiram fugir por uma das entradas da comunidade, segundo a polícia. A informação foi confirmada pelo delegado titular da 11ª DP (Rocinha), Antônio Ricardo Lima Nunes. "Ele retornou para a favela e não quer perder o controle", afirmou o delegado em entrevista à imprensa.

O delegado atribui o fato de ele conseguir furar o bloqueio de policiais e soldados do Exército a seu conhecimento da região: "Ele conhece toda a topografia, isso facilita muito a fuga dele."

"Ele está sufocado, então está se deslocando o tempo todo. Vai para a mata, vai para a favela...", disse o delegado.

Na noite deste sábado, o Disque-Denúncia aumentou de R$ 30 mil para R$ 50 mil a recompensa para quem der informações que levem ao paradeiro de Rogério 157.

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