CNN Brasil
O executivo chileno Germán Naranjo Maldini, preso no Brasil após ser acusado de ofensas racistas, xenofóbicas e homofóbicas contra um comissário de bordo da LATAM Airlines, possui histórico de outros episódios envolvendo investigações e processos no Chile, segundo informações divulgadas pelo jornal chileno Diario Financiero.
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O caso mais recente ocorreu em um voo entre São Paulo e Frankfurt. Segundo as investigações, Maldini teria tentado abrir a porta da aeronave durante o voo e, após ser contido, passou a fazer insultos racistas contra um integrante da tripulação.
A Justiça Federal brasileira expediu mandado de prisão preventiva contra o executivo, cumprido na sexta-feira (15), no Aeroporto de Guarulhos, durante conexão de retorno ao Chile.
Suposto suborno em cartório
Segundo o Diario Financiero, Maldini também foi alvo de uma denúncia apresentada pelo Registro Civil chileno em 2025 por suposto suborno a funcionário público.
De acordo com o relato citado pelo veículo, o executivo foi a um cartório em Lo Barnechea, no Chile, para buscar o passaporte do filho. Após ser informado de que o documento ainda não estava pronto, ele teria perguntado “a quem temos de pagar?” e, posteriormente, retornado ao local com um maço de dinheiro.
O relatório afirma que ele então retornou ao escritório com um maço de notas de 10 mil dólares e supostamente disse ao funcionário: "Pegue isso e faça meu passaporte rapidamente".
Falsa ameaça de bomba
Outro episódio mencionado pelo jornal chileno aconteceu em 2013, em um hotel de luxo em Las Condes, região metropolitana de Santiago.
Segundo documentos citados pelo Diario Financiero, Maldini teria afirmado a funcionários do hotel que havia deixado “uma bomba para matar todos os muçulmanos” em um quarto do local.
O hotel acionou seus protocolos de emergência e agentes do GOPE (Grupo de Operações Especiais) dos Carabineros (Polícia Nacional do Chile) foram ao local para inspecionar as instalações. Nenhum explosivo foi encontrado.
Na ocasião, o caso acabou arquivado pelo Ministério Público chileno após entendimento de que os fatos não configuravam crime.
Em nota, a Latam informou que repudia o caso e presta apoio ao funcionário que foi vítima. Leia abaixo na íntegra:
"A LATAM repudia veementemente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia.
A companhia colabora integralmente com a Polícia Federal no caso do passageiro que praticou violência discriminatória contra um de seus tripulantes no voo LA8070 (São Paulo-Frankfurt), de 10 de maio (domingo), e que foi detido no aeroporto de Guarulhos em 15 de maio (sexta-feira).
A LATAM esclarece ainda que presta acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima dessa violência."
Defesa do chileno sobre episódio em voo
A defesa de Germán Andrés Naranjo Maldini informou que pediu à Justiça Federal uma avaliação da condição clínica e do estado mental do estrangeiro.
Segundo o advogado criminalista Carlos Kauffmann, representante do homem, Germán relatou não ter clareza sobre os acontecimentos registrados durante o voo e disse que está abalado, envergonhado e arrependido.
Leia nota na íntegra:
“Estivemos com o Germán hoje, e ele fez uma declaração na qual ele reconhece que, por força de tratamento psiquiátrico, o qual ele é submetido há mais de 13 anos, já tendo sido internado por essas questões, remédios que está tomando, ele não sabe o que aconteceu. Não tem noção do que houve.
Está extremamente triste, consternado, envergonhado com tudo isso, e pede desculpas públicas a todos os brasileiros, em especial, ao tripulante Bruno, que se sentiu ofendido, dizendo que essa conduta é incompatível com a sua vida, com o seu histórico, e que jamais, jamais, poderia fazer algo nesse sentido de maneira consciente, de maneira intencional.
Neste sentido, o que o Herman precisa é de tratamento. Ele toma medicamento, medicamento controlado, e certamente ele busca tratamento para que ele possa se recompor. Peticionamos hoje à Justiça Federal para trazer dados e fatos até então desconhecidos, no sentido de que Herman precisa de tratamento médico, que já foi internado, toma medicação de uso controlado e é indispensável que seja avaliada a sua condição, o seu estado mental, ainda que esteja preso."
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