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O Distrito da Luz Vermelha de Pattaya (Tailândia) é conhecido como o maior bordel do mundo. Não à toa essa zona turística ganhou o apelido de "Cidade do Pecado". Pattaya se tornou o destino número um do turismo sexual, atraindo especialmente europeus e visitantes de outras nações asiáticas. Mas como isso foi possível?
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Por incrível que pareça, a prostituição é ilegal na Tailândia, de acordo com a Lei de Prevenção e Repressão da Prostituição de 1996. No entanto, a lei é aplicada de forma inconsistente, o que leva à enorme indústria do sexo observada na cidade. A polícia e os políticos tentaram limpar as ruas da cidade tailandesa, mas as centenas de bares com dançarinas sexy, casas de massagem, bordéis, bares para interessados em transexuais e clubes de sexo deixam claro que seus esforços fracassaram completamente. Autoridades fazem vista grossa, e os dólares, as libras, os euros, os rublos e os yuans entram como uma enxurrada.
Na prática, no entanto, a aplicação das regulamentações é inconsistente e ambígua devido à corrupção e à dependência econômica. O sexo é frequentemente negociado em bares ou casas de massagem, com a transação em si ocorrendo fora desses locais. Essa zona cinzenta legal não só reforça o estigma em torno do trabalho sexual, como também permite a corrupção sistêmica, incluindo subornos a policiais e autoridades locais.
Os chamados "bares de prostituição" erguidos nas ruas de Pattaya oferecem sexo pelo equivalente a R$ 87 — uma micharia para o padrão financeiro da maioria dos visitantes. As trabalhadoras do sexo estão disponíveis para "curtos" períodos até por R$ 72, o que muitas vezes implica sexo sem penetração.
As garotas de programa também estão disponíveis para "longos períodos" no paraíso hedonista, o que significa que passam a noite inteira com um cliente ou até mesmo nunca se separam dele, tornando-se sua "namorada" durante a estada nem Pattaya.
Malee (nome fictício) contou, de acordo com o "Daily Star", que um turista britânico que pagou 100 libras (cerca de R$ 720) para ser a "namorada" dele por um mês.
Obviamente, não há números oficiais da prostituição em Pattaya, mas se estima que mais de 27 mil profissionais do sexo saiam às ruas da cidade tailandesa anunciando os seus serviços, tornando-a a capital mundial da prostituição – à frente de locais como Barcelona e a República Dominicana.
Força de trabalho
A Tailândia há muitas décadas virou um destino para imigrantes de países vizinhos do Sudeste Asiático, como Mianmar, Laos e Camboja, impulsionados pela pobreza, instabilidade política ou falta de oportunidades. Desde 2023, aproximadamente 1,5 milhão de pessoas de Myanmar migraram para a Tailândia.
Muitos desses estrangeiros, particularmente mulheres, vão para a economia informal. Entre os mais marginalizados estão as trabalhadoras sexuais em situação irregulara, que enfrentam vulnerabilidades únicas na interseção de gênero, classe, legalidade e nacionalidade.
Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) estima que haja cerca de 145 mil trabalhadoras sexuais no país. Muitos acreditam que o número seja subestimado devido à natureza informal e criminalizada da indústria. Com tanta oferta, o preço do serviço acabou caindo drasticamente, o que explica em parte a afluência de turistas sexuais.
A prostituição se tornou tão importante para a economia de Pattaya que, durante a pandemia de Covid-19, a cidade praticamente faliu.
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