Cidade mais populosa do mundo está afundando e corre risco de desaparecer

Publicado em 11/01/2026, às 14h25
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A cidade mais populosa do mundo enfrenta uma grave crise ambiental e está afundando cada vez mais, correndo o risco de desaparecer nas próximas décadas.

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Jacarta, capital da Indonésia, abriga cerca de 42 milhões de habitantes em sua região metropolitana. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), superou recentemente o número de grandes centros urbanos como Tóquio, no Japão; e Daca, em Bangladesh.

Além da superpopulação, a metrópole enfrenta um problema cada vez mais crítico: o solo está cedendo em ritmo acelerado. Paralelamente, a elevação do nível do mar intensifica o risco de inundações e amplia a ameaça de uma tragédia ambiental.

A principal explicação está nas próprias características geográficas da região. Jacarta foi construída sobre planícies aluviais e áreas de pântano, um tipo de solo naturalmente instável, que cede sob o peso das construções e da expansão urbana.

A cidade também é cortada por 13 rios e está situada em uma área baixa e plana. Além disso, possui uma altitude média de apenas 8 metros acima do nível do mar.

Estimativas indicam que a região metropolitana de Jacarta afundou cerca de 4 metros nos últimos 30 anos. A área mais vulnerável é o norte da cidade, onde estaleiros, comércios, comunidades e condomínios luxuosos correm o risco de desaparecer.

Urbanização e escavação agravam o problema

A urbanização intensa agravou o problema. O avanço do asfalto e do concreto impede que a água da chuva infiltre no solo, dificultando a reposição natural dos aquíferos. Além disso, atualmente, menos de 10% da cidade possui áreas verdes, essenciais para a absorção da água e a prevenção de enchentes.

Como consequência, Jacarta sofre inundações frequentes. Muitos moradores já se acostumaram a evacuar suas casas durante os períodos mais críticos do ano.

A situação se torna ainda mais grave porque a maior parte da população depende de poços artesianos para obter água. O sistema de abastecimento encanado é precário e atende apenas uma parcela limitada das residências. Com isso, principalmente nas áreas mais pobres, moradores perfuram poços por conta própria, esvaziando os aquíferos subterrâneos.

Esse processo faz com que o solo se comprima e afunde rapidamente. "A extração de água subterrânea é sem precedentes para uma cidade desse porte. As pessoas estão cavando cada vez mais fundo, e o solo está cedendo", explica Fook Chuan Eng, especialista sênior em água e saneamento do Banco Mundial, em declaração à Reuters.

Embora existam regras que limitam a quantidade de água retirada de poços licenciados e campanhas públicas que incentivam a economia de água subterrânea, a fiscalização é frágil. Poços ilegais continuam sendo comuns em toda a cidade.

O que está sendo feito?

Ao longo dos anos, Jacarta tem apostado em obras de contenção para tentar evitar a invasão do mar. Após muitos entraves políticos, começou a construção de um muro de proteção de 46 quilômetros ao longo da costa.

Outro plano ambicioso era o projeto Great Garuda, que previa a criação de uma ilha artificial de 32 quilômetros na Baía de Jacarta, cercada por paredões e equipada com estações de bombeamento. Entretanto, foi deixado de lado devido à dificuldade de construção e para focar em estratégias minimalistas, porém mais efetivas.

Paralelamente, o governo indonésio decidiu construir uma nova capital, chamada Nusantara, na ilha de Bornéu. A ideia é reduzir a pressão sobre Jacarta e promover um desenvolvimento mais equilibrado no país.

A região escolhida apresenta menor risco de terremotos e atividade vulcânica, além de permitir o planejamento de uma cidade considerada "verde e inteligente", focada na sustentabilidade. No entanto, comunidades indígenas locais criticam o projeto, temendo a destruição de suas terras, florestas e meios de subsistência.

Especialistas defendem que o governo deveria investir mais na revitalização das áreas costeiras. O replantio de manguezais e a recuperação das margens dos rios, hoje ocupadas por moradias irregulares, e a criação de áreas verdes são algumas alternativas.

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