Ciro diz que nenhum candidato a 2018 sairá "com o paletó limpinho"

Publicado em 24/10/2017, às 21h23

Redação

Ex-ministro do governo Lula e pré-candidato à Presidência, Ciro Gomes (PDT) afirmou nesta terça (24) que nenhum candidato começa a campanha para 2018 "com o paletó limpinho".

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Ciro avaliou também que, na disputa do ano que vem, o nome de Lula não estará nas urnas. "É lamentável o que está acontecendo, mas não vejo ele candidato, não", disse.

Ciro deu uma palestra no Congresso Estadual da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), em São Paulo. Sem ocupar cargo eletivo, o ex-ministro tem aproveitado eventos do tipo para avançar sua candidatura. Neste ano, ele realizou palestras remuneradas em 8 dos 9 congressos estaduais da CSB.

O pré-candidato mantém próximos movimentos sociais que, antes, se alinhavam ao PT quase automaticamente — em 2014, a CSB apoiou a candidatura de Dilma Rousseff desde o primeiro turno. "O PT não é meu inimigo e nem meu adversário, eu apenas tenho uma discordância conceitual e acho que o partido deve ser responsabilizado pelos seus erros", ele disse.

Ex-ministro (Integração Nacional) de Lula, Ciro acha que o ex-chefe ficará inelegível antes da disputa, mas ressalva: "Torço muito pela absolvição dele."

Em um evento da Firjan (Federação das Indústrias do Rio), na quinta passada (19), uma frase atribuída a Ciro — que ele nega ter dito da maneira como foi publicada — gerou impacto negativo em sua pré-campanha —, ressoando principalmente entre o eleitorado de esquerda. Ao comentar a possível candidatura de Marina Silva (Rede), Ciro teria dito que "o momento é de testosterona".

Questionado sobre a polêmica envolvendo Marina, nesta terça, o pré-candidato negou-se a comentar. "Tudo o que tinha para se falar sobre o assunto já foi falado", afirmou.

Porém, instado a comentar a candidatura do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), Ciro disse que disputa parte do eleitorado que hoje declara voto no direitista.

"Há uma fração [dos eleitores de Bolsonaro] que está procurando nele autoridade, decência, integridade — no sentido de não se disfarçar para ganhar voto, não andar mentindo", analisou.

Essa parcela, acredita Ciro, abandonará Bolsonaro quando a campanha do deputado começar a sofrer ataques. "Quando começar o conjunto de micos."

O pré-candidato, é claro, calcula que também será alvo de ataques. "Virão, violentamente", ele disse. "Só que meu eleitor não vai ter que explicar nenhum mico, porque eu não cometo", continuou, deixando a modéstia de lado.

Tem certeza? "Você tem uma frase e tal, pela qual eu já me desculpei", disse, referindo-se à frase que disse em 2002 sobre sua então mulher, Patrícia Pillar: "Minha companheira tem um dos papeis mais importantes, que é dormir comigo."

Mas Ciro pondera: "Quinze anos atrás eu tinha cabelo, era escuro. É só o que tem pra dizer de mim?"

E então conclui o raciocínio: "Evidentemente que nessa campanha ninguém sai com o paletó limpinho. Agora, o meu eleitor não vai ter que explicar mico nenhum."

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