Igor Siqueira e Rodrigo Mattos/FolhaPress
A CBF propôs, e os clubes aprovaram uma redução gradual no limite máximo de estrangeiros em jogos das Séries A e B do Brasileiro a partir do ano que vem.
LEIA TAMBÉM
O modelo de regulamento que entra em vigor para 2027 vai prever até oito estrangeiros em cada partida. O limite atual é nove.
A queda vai se seguir paulatinamente até 2030, quando o teto ficará em cinco estrangeiros, no máximo, relacionados por partida. nesta segunda-feira (21), os clubes podem escalar até nove estrangeiros nas súmulas de cada jogo.
O Flamengo e o Bahia votaram contra a medida.
No caso do Fla, o presidente Luiz Eduardo Baptista queria votar junto a queda do limite de 12 jogos para que um jogador seja transferido na Série A. Mas a CBF explicou que o tema não estava em discussão na reunião desta segunda-feira (21) e entrará em pauta em encontro futuro.
REDUÇÃO GRADUAL DO LIMITE DE ESTRANGEIROS
A medida é para frear um aumento paulatino de estrangeiros que foi feito no Brasileirão nos últimos anos. Em 2014, o limite passou de três para cinco. Em 2023, de cinco para sete. No ano seguinte, veio a mudança mais recente, de sete para nove.
O Flamengo, por exemplo, passou a ter dez estrangeiros no elenco. Com todos saudáveis, precisa deixar um fora da lista de relacionados para os jogos da Série A.
LIMITES DE INSCRIÇÃO
A redução de estrangeiros virá ainda com uma regulamentação mais estrita na inscrição de jogadores nas duas principais divisões do Brasileirão.
Atualmente, os clubes não precisam reservar um número específico para jogadores sub-23.
No formato aprovado, o número total de jogadores se mantém em 50 inscritos. Só que haverá uma delimitação gradual definida para resguardar a presença de jovens.
A proposta é criar uma lista A e uma lista B, a exemplo do que ocorre em torneios da Europa. A lista B será formada apenas por jogadores sub-23 independentemente de terem sido formados no clube em questão ou não.
2027: 30 na lista A - 20 na lista B2028: 29 na lista A - 21 na lista B2029: 27 na lista A - 23 na lista B2030: 25 na lista A - 25 na lista B
No cenário atual, a CBF identificou que a maioria dos clubes 16 na Série A e 17 na Série B já se enquadra no regulamento proposto para a lista de inscritos de 2027, mesmo sem a regra estar em vigor.
O QUE MOTIVOU A DECISÃO
A redução de estrangeiros já era uma demanda passada à CBF pelo Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro (MCFFB).
Após estudos, a CBF verificou que o número de estrangeiros de fato está reduzindo a minutagem de jogadores brasileiros com menos de 23 anos.
A média de idade dos jogadres inscritos na elite do Brasileirão está em 28,5 anos. Olhando para 2020, por exemplo, esse número estava em 27,3. Esse número é superior ao das principais ligas europeias:
Espanha - 27Inglaterra - 26,4Alemanha - 26,3Itália - 26,1França - 26
Primeiro que isso reflete uma tendência de mercado, já que o Brasil exporta seus jovens e compra mais medalhões, sejam eles estrangeiros ou não.
No período entre 2016 e 2025, 79% das receitas dos clubes brasileiros com contratações é com venda de jogadores sub-23. A fatia dos sub-20 é responsável por 50,1% do faturamento, segundo os dados da CBF.
Nas ligas top-5 da Europa, a arrecadação com venda dos sub-20 não chega nem sequer a 30%. O cenário tem um impacto no estilo de jogo por aqui, na avaliação da CBF.
Com jogadores mais jovens, os dados físicos podem ser mais elevados. E isso inclui sprints, distância percorrida e distânca em alta intensidade.
O saldo desses fatores é que o Brasileirão tem o menor percentual de minutagem para jogadores sub-23, na comparação com as top-5 da Europa.
No Brasil, os jogadores dessa faixa etária atuam em 14% dos minutos. O desempenho mais perto disso entre as cinco principais ligas europeias é na Itália, 28%. A França é quem mais dá espaço aos sub-23, com 38% da minutagem.
Cruzando esse contexto com o aumento dos estrangeiros no Brasil nos últimos anos, a CBF constatou que os gringos acima de 23 anos receberam 25% da minutagem da Série A em 2026.
A conta dos 14% é formada por: 11,5% dos minutos aos sub-23 brasileiros, mais 2,3% para os sub-23 estrangeiros.
Em 2026, a CBF contabiliza que 146 jogadores estrangeiros já entraram em campo no Brasileirão. Outros 13 ainda podem estrear.
Ano passado, esse número ficou em 162. A CBF calcula que cerca de 30% nunca jogaram pelas respectivas seleções nacionais principais.
LEIA MAIS