Colecionador reúne todas as edições da Playboy Brasil e lança livro com 8.149 mulheres da revista

Publicado em 15/01/2026, às 20h10
- Foto: Reprodução/Redes Sociais

FolhaPress

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O capixaba Lucas Hit, 40, pode ser considerado um dos principais colecionadores da Playboy no país: ele possui todas as edições nacionais da publicação, que circulou no Brasil de 1975 a 2017. Seu vasto acervo, cuidadosamente arquivado em sua casa, em Piúma (ES) inclui ainda exemplares da Playboy estrangeira de 29 países.

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Hit contou à reportagem que sempre foi fascinado por revistas, mas sua predileta era aquela que desnudou as mulheres mais desejadas do Brasil. "Aos 13 anos comecei a colecionar, e a Playboy foi a principal delas". Ao longo de 27 anos, ele acumulou milhares de exemplares.

Entretanto, no ápice da pandemia em 2020, sem trabalho, o ex-consultor de moda decidiu colocar à venda seu estoque, criando um sebo online. O que era hobby virou fonte de renda. "Não foi desapego, foi desespero mesmo, foi a única solução que achei pra sobreviver, ganhei uma grana boa pra me sustentar, pagar contas atrasadas, e após 3 meses já aluguei um apê".

Em dezembro, Hit deu um passo adiante e lançou seu primeiro livro: "As Garotas da Playboy", que ele descreve como uma enciclopédia. Nele estão listadas, em ordem alfabética, todas as 8.149 mulheres que se despiram para a publicação brasileira, incluindo coelhinhas e ensaios internos. A obra cita famosas e anônimas, com o mês, ano, e a seção que apareceram.

Com 26.581 menções, foi uma tarefa árdua para ele catalogar todas as 497 edições, porém a parte mais difícil, diz, foi arcar com o projeto sem patrocínio. O resultado foi um livro com 360 páginas e tiragem limitada de 200 exemplares numerados. Cada um sai a R$ 159. Segundo Hit, o retorno tem sido positivo: 70 unidades já foram vendidas no site do sebo.

A reportagem buscou a opinião de algumas mulheres que têm seus verbetes no livro, como a atriz e modelo Nana Gouvêa, estrela de edições especiais. "Acho bonito que alguém dê tanto valor a essa fase glamourosa, quando as mulheres eram valorizadas, não só pela beleza, mas também por suas histórias", diz.

Outra que aprovou a iniciativa foi a ex-modelo e empresária Magda Cotrofe: "Interessante essa visão dele, já que é um estudioso da área, além de ser maior fã da revista", diz. "É uma joia para os colecionadores", afirma ela, que estampou a capa três vezes (1985/86/87).


Estrela da edição de novembro de 1994, a atriz e hoje psicóloga Patrícia Lucchesi (a moça do comercial do primeiro sutiã, da Valisère), também elogia: "Achei relevante preservar a história da revista, embora não tenha sido o trabalho mais importante da minha carreira. Lembro que meu ensaio falou sobre minha vida, trajetória, e tinha também o conteúdo informativo".

Contudo, se a intenção do comprador for ver imagens dos ensaios sensuais vintages, ele poderá poderá se frustrar: o livro não possui fotos. Questões de direitos autoriais o impediram de ilustrá-lo. "É um livro para quem quer saber a história da revista, um documento histórico, não é para quem só quer ver mulher pelada", afirma.

Para a atriz e cantora Babi Xavier, capa da edição de setembro de 2003, a ausência de imagens não invalida a obra. "Ter ou não fotos não faz diferença, histórias sempre foram contadas em prosa, e nunca deixamos de nos conectar por isso". A conexão, no entanto, às vezes pode não ser agradável.

Ela comenta que recentemente sua filha sofreu bullying por causa do ensaio. "É triste saber que, enquanto meu trabalho como artista é celebrado, minha filha, na escola, sofreu assédio verbal por causa desse passado", disse Babi, que atualmente se dedica à música.

A atriz e ex-modelo Gisele Fraga, famosa como Garota do Fantástico em 1987, e capa da edição de setembro de 1989, concorda com Babi. "Acho super positivo, mesmo sem fotos. A Playboy foi um fenômeno no mundo inteiro, e elevou o meu reconhecimento nacional", contou. Ela lembra que seu cachê foi o equivalente a um carro zero.

Gisele relembra que na época perdeu a chance de ser VJ na MTV por ter posado nua. "Em um país machista, perdi trabalhos por isso, fui chamada para fazer 18 testes, e não me aprovavam, só fui descobrir anos depois que era devido à Playboy".

OS MELHORES E PIORES ENSAIOS


Com relação a faturamento, Hit não tem razões para reclamar, ele estima ter vendido 10 mil exemplares em cinco anos de sebo. No decorrer desse período, renovou o estoque algumas vezes. "Trabalho nisso em tempo integral, me sustento com minhas revistas, e sinto que tenho a missão de manter esse impresso vivo". Atualmente ele possui 8 mil exemplares da revista.

Questionado sobre seus ensaios preferidos, ele elege três: "Adriane Galisteu (1995), Maitê Proença (1996), e Fernanda Young [1970-2019], que posou em 2009. Com relação aos piores, o autor não poupa críticas a algumas revistas que, segundo ele, não renderam. "Um que é considerado talvez o pior ensaio da história, é o de janeiro de 2007, com a surfista Andrea Lopes; difícil alguém gostar desse ensaio. Não deu certo".

Outro exemplar apontado pelo expert como muito ruim é o que traz a ex-BBB 9 Priscila Pires, de 2009. "Perderam a chance de pôr uma estrela de verdade. Ela não merecia, as fotos beiram à vulgaridade, não estão no padrão da Playboy".

O autor também relembra aqueles que foram sucesso de vendas: "A primeira capa da Maitê, de 1987, vendeu cerca de 700 mil exemplares, foi a edição mais vendida até então". Hit conta que o recorde só foi quebrado com o primeiro ensaio de Adriane Galisteu. "Da última vez que a Playboy divulgou as vendas, consta que foram 961.527 unidades, é a terceira mais vendida da história" afirma.

Com relação aos fracassos, ele considera que houve uma fase com a revista em viés de baixa. "De 2011 a 2015, não teve nada incrível. A Galisteu fez um super ensaio em 2011, mas não vendeu nem 150 mil, foi muito baixo, até pelo investimento que fizeram". Nanda Costa, em 2013, também não teve o sucesso esperado. "Flopou porque nessa época o online estava crescendo".

Ainda sem o retorno do custo investido, ele não teme a possibilidade de o livro encalhar e acredita que sua obra se tornará uma relíquia no futuro. "Tenho certeza que daqui a uns anos será o mais procurado sobre a Playboy do Brasil e aí não vai ter, porque só tinha alguns exemplares."

 
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