Com pontos polêmicos sobre famílias e sucessões, proposta de reforma altera 54% do Código Civil atual

Publicado em 17/06/2025, às 15h39
-

Assessoria

O Código Civil está sendo alvo de uma proposta de reforma em discussão no Congresso que altera 1.122 dos 2.046 artigos da versão atual da lei. O grande número de mudanças, no entanto, tem sido visto pela população como não somente uma atualização, mas sim a criação de um novo código.

LEIA TAMBÉM

O projeto de Lei propõe mudar regras já consolidadas enquanto é vago em relação a pontos que exigiam maior precisão. A linguagem também está sendo alvo de críticas por estar técnica demais. Apesar das opiniões negativas, os especialistas dizem que há consenso na comunidade jurídica de que a atual versão do Código Civil precisa de ajustes, principalmente em relação às partes de Direito da Família e Direito das Sucessões.

O advogado especialista em Direito Civil, Arthur Toledo, ressalta que o Código Civil foi construído em 2002 e conta com mais de dois mil artigos em sua composição. Com o passar dos anos e mudanças na sociedade, a alteração era algo natural em acontecer. “É uma legislação muito grande e algo que rege nossa vida cotidiana. O anteprojeto foi criado por uma comissão de juristas a pedido do Congresso Nacional. É importante entender que o processo legislativo começou agora, alguns têm a opinião de que pode durar até dois anos, ou seja, os pontos que estão sendo alvos de críticas ainda vão ser objetos de debate”, conta.

O Código atual está em vigor há mais de 20 anos, com leis que contém regras sobre casamento, herança e outros temas. Enquanto a Constituição reúne as normas que regem o funcionamento do país, o Código Civil foca em direitos e deveres do cidadão. Ele é organizado em cinco partes: diretrizes gerais, obrigações, direito de família, direito das coisas e direito das sucessões. Uma das novidades do projeto é a criação de uma sexta parte no texto legal, especificamente voltada para a questão do direito digital.

“A única área nova que será criada na legislação é a parte do direito civil digital, o restante já é algo previsto e que sofrerá apenas ajustes ou mudanças. O que a Comissão tem feito é valorar e refletir sobre as mudanças no mundo que impactam a sociedade e trazer as modificações e inovações às normas jurídicas”, pontua o advogado.

Um novo conceito legal de família e regra para doação de órgãos são outras inovações criadas. A proposta prevê o reconhecimento da "família parental", composta por parentes que vivam juntos e compartilhem responsabilidades. Outro trecho viabiliza a possibilidade de que uma pessoa autorize por escrito a doação de seus órgãos, o que acaba com a necessidade de a família ter de fazer a autorização após o óbito.

“A legislação no que se refere a família é bem detalhada, inclusive com pontos específicos se tratando da relação homem e mulher. Ela é muito enfática e tradicionalista no que se refere ao conceito de família. Com o passar dos anos, o casamento entre pessoas do mesmo sexo se tornou permitido, porém não havia sido alterado no Código. A proposta é trazer de forma explícita essas possibilidades e criar uma situação menos injusta e preconceituosa no sentido de reconhecer entidades familiares que de fato acontecem na realidade, como a família parental”, destaca Arthur Toledo.

Outro trecho polêmico do projeto cria responsabilização diferenciada para advogados. O texto prevê que médicos e outros profissionais respondam ao causar danos com ou sem intenção, mas passa a exigir que haja intenção deliberada de errar para que profissionais do Direito sejam responsáveis por erros que cometam.

O especialista, Arthur Toledo, ainda reflete que a proposta é uma grande reviravolta com alguns pontos centrais que exigem maiores reflexões. “É uma proporção de alteração em tom de revogações, correções e acréscimos em quase 900 artigos do Código. A legislação tem que ser o retrato da sociedade, seja para viabilizar, proibir ou flexibilizar alguns comportamentos sociais. Além disso, ela vem para trazer algumas correções de distorções comportamentais, como a proteção dos filhos e da família”, finaliza.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Tribunal italiano encerra audiência sobre extradição de Zambelli TJ de Alagoas alerta população sobre golpe do precatório STJ determina afastamento de ministro Marco Buzzi após acusação de importunação sexual Justiça de Alagoas marca julgamento do caso Davi após mais de uma década