Comércio, Serviços e Agropecuária encerraram mais de 7 mil postos de trabalho no primeiro semestre

Publicado em 09/09/2020, às 15h44
Itawi Albuquerque/TNH1 -

Assessoria Fecomércio

É fato que a pandemia tem reduzido o número de estabelecimentos comerciais pelo globo. No Brasil, o cenário não teria como ser diferente. Os dados do Mapa de Empresas, do Governo Federal, apontam para uma triste situação: no segundo trimestre foram extintos 209.735 empreendimentos no Brasil. Em Alagoas, as informações apontam para o encerramento de 1.374 empresas.

LEIA TAMBÉM

O número é desalentador, mas ao se analisar o mesmo período, o saldo foi positivo tanto no país quanto no Estado: 665.866 empresas foram abertas no Brasil, representando um saldo positivo de mais de 456 mil; e, em Alagoas, o saldo também foi positivo, com 5.478 aberturas de empresas, a diferença positiva é de 4.104 empreendimentos. “Claro que a extinção de empresas é bastante danosa para a economia, pois traz o desemprego e a perda de renda dos empreendedores”, argumenta Felippe Rocha, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL).

Descontando-se a Indústria de Transformação, pois o primeiro semestre é sempre marcado pelo desemprego em massa neste setor devido à entressafra da cana de açúcar, foram perdidos 3.330 postos de trabalho no Comércio, 3.715 em Serviços, e 650 na Agropecuária, totalizando 7.026 vagas fechadas. A conta aumenta consideravelmente quando se soma a estas perdas os 20.488 postos de trabalho encerrados na Indústria de Transformação. Ou seja: no primeiro semestre Alagoas perdeu 27.514 vagas no mercado de trabalho nestes setores. Destaque apenas para a Construção Civil, que contratou 669 pessoas no mesmo período.

“Se de um lado a extinção e a morosidade da economia surtiram no problema do desemprego com prejuízo de 7.026 empregos extintos no semestre, descontando-se a Indústria; por outro, o Benefício Emergencial (BEm), vinculado à MP/936 que permitiu a suspensão e a redução da carga horária de trabalho, serviu para salvar empregos”, ressalta Felippe ao analisar os seguintes números: o estoque de empregos em 1º de janeiro deste ano, em Alagoas, era de 353.471 vagas e, em julho, passou a ser de 327.480. “Por meio do BEm foram realizados 161.363 acordos, seja de suspensão ou de redução da carga horária, o que representa 49,27% dos empregos alagoanos. Nesse contexto, o benefício ajudou a preservar quase a metade dos empregos existentes no Estado”, avalia.

O presidente da Fecomércio, Gilton Lima, acredita que os setores encontrarão alternativas para retomarem estes postos de trabalho. “Estamos num ano atípico. Ainda enfrentamos a pandemia do coronavírus e suas consequências na economia. Percebemos que este é um momento para as empresas se reinventarem e muitas estão conseguindo encontrar soluções para sobreviverem a esta realidade. O auxílio do governo trouxe ajuda nesse sentido”, diz Lima.

 Mais números

Dos 161.363 acordos o Benefício Emergencial (BEm) em Alagoas, 73.101 (=45,3%) foram suspensos; 49.869 (=30,9%) tiveram a carga horária de trabalho reduzida em 70%; 25.671 (=15,9%) tiveram redução de 50% da jornada; e 11.507 (=7,13%) reduziram a jornada em 25%. “Não apenas o BEm serviu para manutenção dos postos de trabalho, mas o Auxílio Emergencial serviu para tirar da pobreza, mesmo que temporariamente, 1 milhão e 200 mil pessoas, apenas em nosso estado, número superior a quantidade de empregos formais existentes em nossa região”, observa o economista. Isto porque os dados do governo federal apontam que, somente em Maceió, 325 mil pessoas receberam auxílio de abril a julho, fazendo circular a quantia de R$ 591; 25,32% do total injetado em Alagoas. E por falar em Estado, o volume já supera R$ 2,334 bilhões. “Além de retirar temporariamente muitos da pobreza, o valor do Auxílio Emergencial serviu para manter os níveis de consumo, pelo menos em alguns segmentos, tais como alimentação, farmácias e material de construção”, ressalta.

Na análise do assessor econômico da Fecomércio, os indicadores são bons, mas mostram uma triste realidade do nosso Estado: a pobreza e a falta de dinamismo econômico da região. Isto porque o valor distribuído na capital representa 2,81% do PIB e o número de beneficiados (325 mil) é 1,7 vezes superior ao número de empregados formais na capital (190 mil). Em relação ao estado de Alagoas, o volume do auxílio representa 4,41% do PIB e a quantidade de auxiliados é 3,66 vezes superior ao estoque de empregados formais na divulgação de julho. “O término do Auxílio Emergencial podem trazer profundas incertezas no consumo e no crescimento de Alagoas e do Brasil devido à ressaca provocada pela falta de renda. A sinalização do governo em aperfeiçoar o Programa Bolsa Família, ampliando o número de pessoas que poderão receber o benefício, será fator decisivo para o ano que vem”, pondera.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Dólar sobe e petróleo dispara com ataque militar ao Irã; entenda Quem deve declarar o Imposto de Renda 2026? Veja o que se sabe até agora sobre as regras Empresas têm até este sábado para enviar dados salariais por gêneros Receita paga lote da malha fina do Imposto de Renda de fevereiro