Revista Glamour
Todo mundo já passou por isso: são seis da manhã e a última coisa que você quer fazer é sair da cama para aquela aula de HIIT cedo demais que você já pagou. Ou, se você trabalha de casa como eu, sabe que deveria sair para a corrida em torno da qual planejou todo o seu dia… mas e se simplesmente não fosse? Tão tentador.
É assustadoramente fácil adiar aquilo que você sabe que deveria fazer. Mas por quê? Como explicou Janelle S. Peifer, PhD, psicóloga clínica licenciada e professora assistente da Universidade de Richmond, nós, humanos, gostamos de atalhos e hábitos que diminuem a carga cognitiva, física e emocional do dia a dia. Em outras palavras, somos um pouco preguiçosos. Além disso, certas atividades despertam incerteza, estresse e até podem parecer ameaças à autoestima.
Eu entendo. A vontade de desistir pode ser intensa, mesmo quando você sabe, lá no fundo, que aquela atividade faz bem e pode melhorar sua vida. O cérebro adora jogar contra você, mas existem truques poderosos para driblar esse impulso de furar planos e evitar o arrependimento depois. Aqui estão alguns para testar.
Valide seus sentimentos
O primeiro passo é reconhecer que a tarefa que você está evitando é difícil. Muitas vezes, a gente se chama de fraca ou incapaz por não cumprir algo que parece simples. Você pode pensar: por que não consigo fazer isso, eu disse que ia fazer?
O problema é que emoções negativas como culpa e autopunição só alimentam a procrastinação e diminuem ainda mais as chances de você seguir em frente. Por exemplo, se toda vez que você falta à academia se critica duramente, logo deixa até de tentar se motivar. Por outro lado, quando você se sente positiva e capaz em relação às suas pendências, a resistência diminui naturalmente e fica mais fácil agir.
Por isso, normalize a dificuldade. Reconheça que a tarefa, seja levantar do sofá para encontrar amigos ou marcar aquelas consultas médicas atrasadas, exige esforço. Ao adotar essa postura, você se sente menos fracassada e reduz as chances de desistir.
Divida a tarefa em partes minúsculas e possíveis
Muita gente estabelece metas intensas e grandiosas, que já nascem difíceis de cumprir. Talvez você tenha feito matrícula na academia e se inscrito em aulas todos os dias da semana. Ou comprado ingredientes suficientes para cozinhar cinco jantares seguidos.
Ir do zero ao cem raramente funciona. As chances de manter o plano aumentam quando você se propõe a cumprir tarefas pequenas e alcançáveis. Isso pode significar ir à academia só duas vezes por semana ou cozinhar três noites e se permitir pedir comida ou sair para comer nos outros dias.
Quando chegar a hora de sair de casa, foque nos passos imediatos. Colocar o tênis, sair pela porta, caminhar ou dirigir até o mercado. Não pense na maratona culinária que vem depois. Pessoas têm muito mais chance de concluir tarefas realistas do que objetivos amplos, complexos ou exaustivos. É por isso que, em dias mais corridos ou mais preguiçosos, eu escolho treinos de vinte minutos em vez de sessões longas. Eles parecem possíveis. E, sim, eu ainda me sinto ótima depois.
Tudo isso se conecta à ideia de reforço positivo. Quando você se sente orgulhosa ao cumprir seus planos, a probabilidade de repetir o comportamento aumenta. É como abastecer o tanque aos poucos.
Concentre-se no processo, não apenas no resultado
É fácil enxergar um treino ou qualquer outra obrigação apenas como algo a ser riscado da lista. Mas prestar atenção nos pequenos ganhos ao longo do caminho pode ser muito mais motivador. A evitação costuma piorar quando o foco está apenas no resultado final.
Em vez de entrar em algo pensando só no que precisa ser feito ou no desfecho, tente estar presente e observar o que a jornada oferece. Pense em uma aula de bike indoor. Focar nos quarenta e cinco minutos de esforço pode parecer pesado e até chato. Mas, quando você pensa na experiência em si, a música animada, as interações divertidas, as risadas com os comentários do instrutor, o dedo provavelmente vai se afastar do botão de cancelar.
Arrume uma parceira de responsabilidade
Outro atalho eficiente é se unir a alguém que ajude a manter o compromisso. Muitas vezes tentamos fazer tudo sozinhas, mas sentir-se apoiada e comprometida com outra pessoa faz diferença.
Pesquisas mostram que fazer as coisas em conjunto aumenta a constância. Seja para treinar, ler ou melhorar a alimentação, a motivação tende a ser maior quando existe companhia. Vale mandar uma mensagem para uma amiga pedindo um incentivo rápido ou convidá-la para aquele happy hour de networking que você anotou na agenda, mas está evitando. É bem mais fácil ir quando vocês estão juntas. E, se for tão ruim quanto você imagina, pelo menos terão alguém para reclamar junto.
Permita-se remarcar
Por fim, e esse é um conselho que eu defendo com força, saiba a hora de mudar o plano. Às vezes, aquela voz interna pedindo para pegar mais leve tem razão. Pode ser que a atividade simplesmente não combine com você. Talvez Pilates não empolgue tanto porque, no fundo, você seja mais do tipo caminhada ao ar livre. Essa informação é valiosa.
Também existe a possibilidade de você precisar desacelerar. Se estiver cansada, com fome, doente ou com dor, escute esses sinais. Seu corpo está tentando dizer algo. Reavalie a meta e permita-se ajustar para algo mais viável ou reagendar para outro dia da semana. Descansar também é produtivo.
Para fechar, um último lembrete. Se você acabar adiando, seja gentil consigo mesma. Diga a si que está no limite agora e vai recomeçar em breve, ou que não está desistindo, apenas respeitando seu ritmo. Se precisar faltar, falte com carinho. Não transforme isso em um ataque à sua personalidade.
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