Como está a atual situação da proposta que põe fim à escala 6×1 ?

Publicado em 21/08/2026, às 11h03
- Feito com I.A.

Jornal Contábil

O debate sobre a redução do tempo de trabalho no país voltou a ganhar fôlego no Congresso Nacional. A PEC 221/2019 prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Sob a condução do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a proposta começou a tramitar formalmente na Casa, integrando um pacote de pautas classificadas como prioritárias, que abrange também matérias de segurança pública e a política nacional de minerais estratégicos. 

LEIA TAMBÉM

A medida reativa a discussão sobre o impacto da reformulação das jornadas tanto para a rotina do trabalhador quanto para a saúde financeira das corporações. 

Proposta altera a jornada de trabalho

Atualmente, o texto constitucional fixa o limite de trabalho em oito horas diárias e 44 horas semanais, prevendo margem para compensações via negociação coletiva. A PEC 221/2019 altera esse parâmetro ao teto de 40 horas semanais, sem qualquer abatimento nos rendimentos dos empregados. 

Na prática, a mudança extingue o modelo em que se trabalha seis dias para descansar um, assegurando dois dias semanais de folga, preferencialmente aos domingos. Como o tema engloba diferentes propostas já apresentadas no Legislativo, o texto ainda pode sofrer modificações durante as discussões. 

Corrida contra o relógio

Antes de qualquer deliberação no Plenário, o projeto vai passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde serão examinados seus aspectos jurídicos, constitucionais e de mérito. 

O Palácio do Planalto atua nos bastidores para emplacar um aliado na relatoria da matéria, sendo cotados os senadores Otto Alencar e Omar Aziz. O movimento do governo visa acelerar o trâmite para tentar votar a emenda durante a semana de esforço concentrado do Congresso, agendada para o período de 31 de agosto a 4 de setembro, antes da eleição em outubro. 

Exigências regimentais e reação empresarial

O curto prazo para apreciação, contudo, esbarra na complexidade regimental. Por se tratar de alteração na Constituição, o projeto exige apoio de no mínimo três quintos dos senadores (49 votos) em dois turnos de votação. Caso haja alguma modificação, precisa retornar à Câmara dos Deputados. 

Paralelamente, lideranças do setor empresarial pressionam por prazos mais amplos, demonstrando preocupação com os custos operacionais, o rearranjo de escalas e o funcionamento de serviços essenciais. Representantes da indústria e do comércio já solicitaram ao presidente do Senado que o tema seja aprofundado com mais rigor e sem apressamento.

Etapas até a aprovação

Por outro lado, apoiadores da medida sustentam que a redução do ritmo produtivo resulta em ganhos diretos de saúde, qualidade de vida e convivência familiar para a classe trabalhadora. 

Dessa forma, com o despacho assinado, os próximos passos do projeto englobam a indicação oficial do relator na CCJ, a realização de audiências públicas para avaliar os impactos econômicos e sociais, a votação na comissão e, se aprovado, o envio ao Plenário para votação em dois turnos. 

Por fim, o desfecho da pauta dependerá do ritmo das negociações políticas e do consenso construído entre as bancadas partidárias.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Vivo abre 100 vagas exclusivas para Pessoas com Deficiência Talent Bootcamp vai mais de 100 empresas em busca de talentos para o mercado de trabalho CDH debate projeto que proíbe cotas para residência médica Por que as empresas costumam pagar o salário no 5° dia útil do mês?