Conselho de Ética retoma análise de processo contra Jean Wyllys

Publicado em 08/11/2016, às 17h12

Redação

O Conselho de Ética retomou nesta terça-feira, 8, a análise do processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) com a oitiva das testemunhas que viram o parlamentar cuspir em direção ao deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) no dia da votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara, em 17 de abril deste ano. O primeiro a ser ouvido foi o deputado Alberto Fraga (DEM-DF), um dos autores da representação na Corregedoria da Câmara.

LEIA TAMBÉM

No depoimento, Fraga disse que o colega cuspiu "de forma intolerante" com a intenção de atingir Bolsonaro. A cuspida também teria atingido o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ). "Achei uma atitude desnecessária. A esquerda fala em intolerância, mas a intolerância parte deles", disse Fraga, ouvido na condição de informante.

O deputado destacou que não ouviu nada que Bolsonaro tenha dito para Wyllys que possa o ter provocado na ocasião, mas que o deputado do PSOL teria chamado os colegas de "canalhas e fascistas". "Cuspir na cara de um parlamentar é uma agressão pior do que, às vezes, um tapa na cara, uma palavra dita de forma injuriosa", completou Fraga, adversário político de Wyllys. "Já fui chamado de jagunço, fascista e matador. E não por isso tenho o direito de cuspir em ninguém", reclamou.

Coube ao deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) sair em defesa de Wyllys, revelando aos colegas que testemunhou outras situações em que Bolsonaro provocou o colega. Braga apelou para que os conselheiros avaliassem o "calor" do debate e enfatizou que Wyllys apenas reagiu a mais uma provocação de Bolsonaro. "Se não fosse considerada uma reação, também não seria considerada uma reação de Eduardo Bolsonaro que também reagiu com cuspe depois que o Jean Wyllys saiu do plenário", declarou. Fraga rebateu dizendo que nunca ouviu nenhuma conduta em Bolsonaro que o desabonasse.

O deputado Ricardo Izar (PP-SP), relator do processo disciplinar chamou inicialmente 12 colegas para prestar depoimento. Nesta tarde ele dispensou o delegado Éder Mauro (PSD-PA) e pediu a oitiva do corregedor da Casa, Carlos Manato (SD-ES). As oitivas também devem ocorrer na quarta, 9.

O processo contra Wyllys é fruto de seis representações levadas à Corregedoria da Casa, sendo duas delas do ator Alexandre Frota. A Mesa Diretora aprovou o encaminhamento das representações e sugeriu a suspensão do mandato parlamentar por até seis meses. Caberá ao Conselho de Ética arquivar ou dar continuidade ao processo. O prazo para análise da representação é de 60 dias úteis.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Câmara aprova regime de urgência para projeto que cria o “imposto do congestionamento” Após denúncia de Rui Palmeira, Câmara de Maceió determina recadastramento de servidores Brasil repete sua segunda pior nota da série histórica em índice global de percepção da corrupção Entidades pedem veto de Lula ao PL dos supersalários na Câmara e no Senado