Correios entregaram em fevereiro cartão de Boas Festas de 2025

Publicado em 14/02/2026, às 16h00

Flávio Gomes de Barros

Texto da economista e advogada Eelena Landau

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"No dia 2 de fevereiro recebi um cartão de Boas Festas de 11 de dezembro. Fora de hora, né? Mas não para os Correios. Iemanjá resolveu dar uma força para nosso glorioso serviço postal.

O carimbo no envelope mostra que foi postado em Guarulhos e não da Groenlândia. Deve ter ficado perdido nos centros de distribuição aleatórios. O CEP do destino é apenas ilustrativo. É frequente receber aviso de uma encomenda a ser buscada em São João do Meriti, quando moro na Zona Sul do Rio. Já desisti de usar e-commerce. E quando dizem que chegou no posto de Curitiba? Buraco negro.

Mas, nem pensar em pedir ressarcimento ou indenização. Somos os menos relevantes credores da estatal. Suas dívidas são bilionárias e o usuário é o último da fila. Na nossa frente vem fornecedores, empréstimos e INSS devido. Empresa estatal devendo direito trabalhista!

Apesar das dezenas de milhares de funcionários e um batalhão de 300 advogados, os Correios acabam de contratar por R$ 800 mil, sem licitação, um escritório para defender seu ex-presidente. Faltou solidariedade dos amigos do Prerrogativas, de onde Fabiano dos Santos saiu para quebrar a empresa.

Nem para oferecer um pro bono ao companheiro. Tudo bem, a gente que paga mesmo.

Importante a investigação sobre sua gestão, não só para punir eventuais desvios, mas, principalmente, para ter um diagnóstico detalhado das causas de tamanho descalabro. Um plano de recuperação está em andamento. Venda de imóveis e demissão estimulada. Tudo muito pouco para o tamanho do buraco.

O que se ganha nos cortes, se paga no empréstimo. O futuro da empresa continua incerto.

Há quem diga que empresa pública não precisa dar lucro, especialmente, as que cumprem uma função social. Necessário investir para maior qualidade na prestação dos serviços. Mas não precisavam abusar. O rombo de 2025 pode chegar a R$ 10 bilhões! E não funcionou: entrega piorou muito e a marca foi destruída.

Correios dominaram o noticiário em setembro e outubro. O empréstimo de R$ 20 bilhões aparecia nas páginas de economia diariamente. O Tesouro deu garantia, bancos públicos entraram. R$ 8 bilhões já entraram no caixa, acompanhados de mais juros, óbvio. E para 2027 deve vir um aporte de mais R$ 6 bilhões.

A crise dos Correios foi esquecida. É tanto escândalo que fica até difícil acompanhar; Carbono Oculto, roubo no INSS, Banco Master, racha no STF e no TCU, campanha eleitoral antecipada e Toffolão. A cada enxadada uma sucuri.

Mas é Carnaval. Quanto riso, quanta alegria. Mais de mil palhaços no salão."

 
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