Criança era proibida pela mãe de estudar, brincar e tomar sol, em Pernambuco

Publicado em 06/02/2019, às 12h27
Casa que a mulher mantinha a filha presa | Thales Pitter/Conselho Tutelar do Recife/Divulgação -

Camilla Bibiano*

Uma criança de 10 anos era mantida em cárcere privado pela mãe, denunciada pelo Conselho Tutelar, no bairro de Santo Amaro, no Recife. O resgate da criança aconteceu na segunda-feira (04) pelo pai e o caso foi registrado na terça (05).

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Foi aberto um inquérito no Departamento de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) para apurar a conduta da mulher, de 42 anos. Segundo o conselheiro tutelar Thales Pitter, que acompanha o caso desde 2016, não é a primeira vez que a mãe deixa a garota em cárcere privado.

"A criança não estudava desde 2017 e nem matriculada estava. A mulher colocava panos nas janelas para que a menina não visse a luz do sol. Em ouvida, a criança nos pediu ajuda. A mulher a privava de estudar, de brincar e mesmo de comer. Em 2016, encaminhamos a mãe para o Centro de Atenção Psicossocial, porque tudo indica que ela está com problemas psicológicos", diz Thales.

O Conselho Tutelar também relatou que após a notificação de 2016, a mulher mudou-se para Alagoas com ajuda do avô da criança. O caso continuou sendo monitorado e a mulher retornou a Pernambuco no ano passado.

O pai foi quem conseguiu resgatar a filha e pediu a guarda da criança. "Soubemos que ela voltou para a mesma casa e, no fim de janeiro, recebemos informações de que ela estaria praticando os mesmos atos. Fomos ao local e vimos que era verdade, na sexta (1º), mas a polícia disse que não podia entrar na residência. O pai chegou ao Conselho Tutelar na segunda e, com os direitos de genitor, resgatou a filha", conta o conselheiro.

As ações da mãe retrocederam a menina, que não consegue seguir o desenvolvimento de crianças da mesma faixa etária. "A menina estava visivelmente abaixo do peso, pálida, não interagia e era muito calada. Está fora da faixa etária dela por causa de tanta privação de contato", afirma o conselheiro.

O caso é investigado pela delegada Lucia de Fátima e foram ouvidos a mãe, o pai e a criança. A menor de idade foi encaminhada ao Instituto de Medicina Legal (IML) para passar por exames. Em seguida, passa a ficar sob a guarda do pai.


*Estagiária sob supervisão da editoria

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