Deisy Nascimento
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Colorido, elegante e muito popular nos lares brasileiros, o peixe Betta conquistou espaço como um dos animais de estimação mais criados em casa. Sua fama de peixe resistente faz com que muitas pessoas acreditem que ele exige poucos cuidados, mas a realidade é diferente. Apesar da capacidade de adaptação, o Betta é um animal sensível e precisa de atenção diária para viver com saúde e qualidade de vida.
Para esclarecer os principais cuidados com a espécie, o professor e engenheiro de pesca, Dr. Diogo Spanghero, do curso de Engenharia de Pesca da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Campus Penedo, explica que o primeiro passo é conhecer melhor a origem e o comportamento desse pequeno peixe.
Originário do continente asiático, o Betta (Betta splendens) adaptou-se muito bem ao clima brasileiro. No entanto, uma característica marcante da espécie exige atenção especial: seu comportamento territorialista.
“O macho precisa viver sozinho. Quando dois bettas são colocados no mesmo ambiente, eles disputam território e podem brigar até que um deles morra”, alerta o especialista.
Ambiente adequado faz toda a diferença
Embora não necessite de aquários muito grandes, o Betta precisa de um espaço que proporcione conforto e se aproxime das condições do seu habitat natural. Recipientes com capacidade mínima de três litros já podem atender às necessidades básicas do animal.
Além disso, é recomendado oferecer um ambiente enriquecido, com plantas aquáticas, pedras ou areia lavada como substrato, criando locais para descanso e exploração.
A qualidade da água também é fundamental para a saúde do peixe. Como restos de alimento e fezes se acumulam ao longo do tempo, as trocas parciais de água devem ser realizadas regularmente, geralmente uma vez por semana ou sempre que houver sinais de alteração na qualidade da água.
Atenção ao cloro
Um erro comum entre os criadores iniciantes é utilizar água da torneira diretamente no aquário. A água fornecida pelas companhias de abastecimento costuma conter cloro, substância que pode ser extremamente prejudicial aos peixes.
Para evitar problemas, é possível utilizar produtos anticloro, facilmente encontrados em pet shops e lojas especializadas em aquarismo. Outra alternativa é deixar a água armazenada em um recipiente aberto por pelo menos 24 horas antes da utilização, permitindo que o cloro evapore naturalmente.
Alimentação sem exageros
A alimentação é outro ponto que merece atenção. O ideal é oferecer ração específica para peixes ornamentais, com tamanho adequado à boca do Betta, duas vezes ao dia.
Segundo o professor Diogo Spanghero, uma boa referência é observar o tempo de alimentação.
“O peixe deve consumir o alimento em um ou dois minutos. Se houver sobra de ração, significa que a quantidade oferecida foi maior do que a necessária”, explica.
O excesso de alimento é um dos principais erros cometidos por tutores iniciantes. Além de comprometer a qualidade da água, pode causar problemas de saúde e até reduzir a expectativa de vida do animal.
Nunca solte o Betta na natureza
Com alimentação equilibrada, água de qualidade e um ambiente tranquilo, o Betta pode viver por vários anos, exibindo suas cores vibrantes e seu comportamento característico.
O especialista também faz um alerta importante para quem não puder mais cuidar do animal: a melhor alternativa é procurar alguém que possa adotá-lo.
“Jamais solte o peixe em rios, lagos ou açudes. Por ser uma espécie exótica, territorialista e agressiva, ele pode causar desequilíbrios ambientais e prejudicar espécies nativas”, destaca.
Engenharia de Pesca também forma profissionais para o mercado ornamental
Para quem se interessa pelo universo dos peixes ornamentais e deseja transformar essa paixão em profissão, o curso de Engenharia de Pesca da UFAL, Campus Penedo, oferece formação voltada para diversas áreas da aquicultura.
Durante a graduação, os estudantes aprendem técnicas de manejo, reprodução, nutrição e produção de organismos aquáticos, incluindo peixes ornamentais, ampliando as oportunidades de atuação profissional no setor.
Fonte: Prof. Dr. Diogo Spanghero, engenheiro de pesca e docente do curso de Engenharia de Pesca da UFAL/Penedo.
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