Defesa de Rocha Loures descarta delação e espera liberdade

Publicado em 13/06/2017, às 13h46

Redação

O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) descarta fazer uma delação premiada no momento, disse à Reuters o advogado Cézar Roberto Bittencourt, que espera que seu cliente esteja livre até 16 de julho, dia em que está previsto o nascimento do filho do ex-assessor do presidente Michel Temer.

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Rocha Loures foi preso preventivamente no dia 3 de junho por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin no inquérito a que ele e o presidente Michel Temer respondem sob a acusação de obstrução de Justiça, organização criminosa e corrupção passiva após a delação de executivos da JBS.

“Não vai existir delação, em nenhuma hipótese”, afirmou o criminalista. “Até 16 de julho, ele espera estar livre para assistir ao parto do filho. Antes disso até”, completou.A mulher de Rocha Loures está grávida de oito meses.

O advogado espera que Edson Fachin leve ao plenário do STF o quanto antes o pedido apresentado por ele para libertar Rocha Loures sob o argumento de que a prisão dele foi ilegal.

Segundo ele, a motivação da prisão do ex-assessor de Temer era desnecessária porque ele não representava qualquer risco para a ordem pública. Alega, ainda, que a prova para a detenção –a gravação feita por Joesley Batista e a ação controlada– é ilegal, a partir daí todo o restante teria que ser desconsiderado.

“Só quero uma coisa: que o relator leve para o plenário a prisão do Rodrigo”, defendeu.

O advogado revelou ter apresentado na segunda-feira uma petição sigilosa ao inquérito com novos pedidos para avaliação de Fachin. Ele não quis detalhar o que seria.

Bittencourt não acredita que seu cliente poderá ser colocado em liberdade após a provável denúncia criminal que será oferecida nos próximos dias contra Rocha Loures e Temer pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Por isso, o advogado trabalha na linha da defesa segundo a qual, a partir do que considera como prova ilegal, a gravação de Joesley, toda a investigação contra o ex-assessor de Temer e o presidente está contaminada.

Ele disse que não há combinação da estratégia de defesa com a banca que representa Temer no inquérito, comandada pelo criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira.

Segundo Bittencourt, há momentos em que a defesa converge. As duas defesas questionam o uso e a validade da gravação como instrumento de prova –a Polícia Federal realiza perícia no áudio da conversa de Joesley Batista e Temer. Mas ressalvou que essa convergência não é sempre garantida.

“Tenho que trabalhar aquilo que é bom para o meu cliente”, frisou. “Não tenho nada a ver com os outros. Não vou deixar de fazer a defesa bem feita para beneficiar o outro”, completou.

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