Defesa do teto de gastos isola Meirelles em debate de assessores

Publicado em 08/08/2018, às 16h31
Henrique Meirelles | Marcelo Camargo/Agência Brasil -

Folhapress

Responsável pela implementação de um teto para o crescimento dos gastos públicos no Brasil, Henrique Meirelles tem se isolado na defesa da regra. Em debate entre assessores econômicos de candidatos nesta quarta-feira (8), em Brasília, o representante do emedebista foi o único a dizer que vai manter a norma.

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No encontro, assessores de Alvaro Dias (Pode), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Lula (PT) e Guilherme Boulos (Psol) se posicionaram contra a proposta. Apesar de não estar no evento, o economista da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), Persio Arida, já indicou em entrevistas que pode rever a regra.


A exceção entre os candidatos com melhor colocação nas pesquisas é Jair Bolsonaro (PSL). Ao jornal Valor Econômico, o economista Paulo Guedes disse que pretende aprofundar a regra.


O teto de gastos foi proposto pelo governo Michel Temer e aprovado pelo Congresso no início da gestão de Meirelles à frente do Ministério da Fazenda. A norma limita o crescimento do gasto público à variação da inflação por dez anos, renováveis por mais dez.


"Somos a favor de manter o teto de gastos. É uma revolução na forma de fazer orçamento no Brasil", disse José Márcio Camargo, auxiliar de Meirelles na área econômica.


No debate promovido pela ABDE (Associação Brasileira de Desenvolvimento), a economista de Alvaro Dias, Ana Paula Oliveira, disse que o candidato do Podemos vai fazer um ajuste fiscal sem seguir o molde da norma em vigor.


"Somos contra o atual teto de gastos. Precisamos reduzir despesas, mas deixar um mecanismo de aumento de gastos com o que queremos para o país. Não adianta limitar gasto à inflação se queremos ter um crescimento médio [do PIB] de 5% ao ano", disse.


Representante de Marina Silva, Eduardo Bandeira disse que a candidata já deixou claro que é contra o mecanismo.


"Marina foi contrária a PEC do teto, mas é totalmente favorável a um esforço fiscal para que se consiga compatibilizar receita com despesa dentro do orçamento", afirmou.
O economista Nelson Marconi, que assessora Ciro Gomes, informou que o pedetista vai revogar o teto de gastos se for eleito presidente.


"Temos que ter um limite para o gasto, possivelmente um teto para a dívida, preservando investimentos, principalmente em saúde e educação. Todo mundo está vendo que ano que vem o governo não vai funcionar com o esse teto", disse.


As equipes de Lula e Boulos também querem a revogação da regra.


"Estamos defendendo um conjunto de revogações das medidas. Revogações que vamos fazer de forma democrática", disse o economista Marcio Pochmann, representante do petista, citando o teto de gastos e a reforma trabalhista.


"Vamos propor a revogação. Isso vai gerar uma instabilidade política imensa em 2019. A gente vai ter um presidente que vai assumir o governo refém do Congresso", afirmou Marco Antonio Rocha, da campanha de Guilherme Boulos.

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