Deolane tinha planos de transferir dinheiro do PCC para Dubai, aponta MP

Publicado em 19/06/2026, às 08h21
- Reprodução/Redes sociais

CNN Brasil

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A influenciadora Deolane Bezerra, que se tornou ré por suspeita de organização criminosa e lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital) nesta quinta-feira (18), tinha planos de transferir dinheiro da facção para Dubai, nos Emirados Árabes, segundo a denúncia apresentada pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo).

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De acordo com o documento, o país é "reconhecidamente associado à utilização de shell companies (empresas de fachada) para facilitação de lavagem internacional de ativos".

Além da influenciadora, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e membros de sua família também se tornaram réus pela mesma denúncia à Justiça.

Os réus possuem um prazo de 10 dias para apresentar resposta à acusação.

Entenda acusação

A investigação, iniciada em 2019 após a apreensão de manuscritos no presídio de Presidente Venceslau, identificou a Transportadora Lado a Lado como instrumento de branqueamento de recursos da facção.

Segundo os autos, a empresa era utilizada para pulverizar depósitos e ocultar a origem ilícita de valores provenientes do tráfico de drogas adquiridos pelo PCC (Primeiro Comando da Capital). Deolane atuava como receptora desses fundos.

A organização criminosa utilizava de suas contas bancárias para realizar as movimentações financeiras que chegam a mais de R$27 milhões.

Os relatórios da investigação, no entanto, demonstraram que o valor era incompatível com a sua capacidade econômica declarada.

Ainda de acordo com o documento, Deolane aproveitava sua projeção nacional para mascarar a ação criminosa.

Itens apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, joias, relógios, dinheiro em espécie e aparelhos celulares da advogada foram confiscados.

O juiz determinou o sequestro de uma Lamborghini Huracan EVO, uma Mercedes-Benz AMG G63 e uma Cadillac Esacalade e uma BMW X1 registradas no nome de sua empresa, intitulada Deolane Bezerra Holding Patrimonial LTDA.

Parte desses veículos já havia sido apreendida no começo de maio, quando ela foi presa. Ao todo, estima-se que os carros juntos ultrapassem valores milionários.

Além dos automóveis de luxo, foi identificado um montante total de R$ 27.002.774,72, valor este, segundo a Justiça, considerado incompatível com a renda declarada pela Deolane. A quantia também foi bloqueada.

Em tese, todos os elementos colhidos — incluindo os itens apreendidos na casa da Deolane — comprovam a participação dela nos crimes, segundo o magistrado.

O que dizem as defesas?

A defesa de Deolane Bezerra tomou ciência do recebimento da denúncia, ressaltando que o ato é inicial e não implica culpa. Em nota, os advogados reiteram a inocência da influenciadora, a origem lícita de seus rendimentos e a inexistência de vínculos com o crime organizado, afirmando que utilizará todas as provas para esclarecer o caso.

Veja nota na íntegra:

"A defesa de Deolane Bezerra, patrocinada pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes, tomou ciência do recebimento da denúncia oferecida pelo Ministério Público, ato processual inicial que não representa qualquer conclusão acerca dos fatos imputados. A defesa afirma que utilizará todos os meios de prova necessários ao esclarecimento do caso, afastando qualquer alegação de ilicitude ou conduta criminosa, uma vez que sua cliente é inocente, seus rendimentos possuem origem lícita e regularmente declarada e Deolane não possui qualquer vínculo com o crime organizado."

A defesa de Marcola e seus familiares também se manifestou.

Veja nota na íntegra:

"Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, vem a público informar que a denúncia oferecida em desfavor de seus constituintes no contexto da denominada Operação Vérnix, na qual se imputou a suposta prática dos delitos previstos no artigo 2.º da Lei n.º 12.850/2013 (organização criminosa) e no artigo 1.º da Lei n.º 9.613/1998 (lavagem de capitais), foi recebida pelo Juízo da 3ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau no dia 16 de junho.

A Defesa reitera que Marco Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior encontram-se custodiados em estabelecimento penal federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados e evidencia o equívoco da acusação."

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