☰
✕

Desmatamento na Amazônia salta 74,6% e bate novo recorde em abril

Publicado em 06/05/2022, às 11h36
O total de área desmatada equivale a 1.389 campos de futebol “padrão Fifa” | Foto: Divulgação/greenpeace -

Correio Braziliense

Dados do sistema Deter, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta sexta-feira (6/5), mostram aumento assustador do desmatamento na Amazônia, que  segue desenfreado e alcançou níveis alarmantes, batendo novos recordes, de acordo com o Greenpeace Brasil.Conforme dados do Inpe, entre os dias 1º e 29 de abril, os alertas apontam para um total de 1.013 km² de áreas desmatadas,  dado 74,6% superior ao registrado no mesmo mês de 2021. É o pior resultado da série histórica, iniciada em 2004, quando foi criado o Deter.

LEIA TAMBÉM

O total de área desmatada equivale a 1.389 campos de futebol “padrão Fifa” para competições internacionais, de acordo com organização não-governamental (ONG). A entidade destacou que, pelo quarto mês consecutivo, os alertas de desmatamento seguem concentrados nos estados do Amazonas (34,2%), Pará (28,3%) e Mato Grosso (23,8%).

“A fragilização dos órgãos de fiscalização ambiental, não é por acaso, é um projeto perverso que tem como um dos principais resultados, a prescrição de crimes ambientais sem que os criminosos sejam punidos. Com a certeza da impunidade, o que já está ruim tende a piorar caso projetos de leis que visam legalizar a grilagem de terras, flexibilizar o licenciamento ambiental e abrir Terras Indígenas para mineração sejam aprovados na Câmara e no Senado”, disse o coordenador de Amazônia do Greenpeace Brasil, André Freitas, em nota divulgada pela entidade. “É preciso de uma vez por todas frear este mecanismo que vem sucateando os órgãos públicos e investir em fiscalização ambiental se quisermos realmente manter a maior floresta tropical do mundo em pé”, acrescentou.

Vale lembrar que, na recente divulgação do Global Forest Watch, o Brasil aparece como responsável pela perda de 40% do total de florestas tropicais no mundo em 2021. “Com isso, o Brasil segue ganhando títulos desonrosos que acabam por contribuir negativamente para a contenção da crise climática e, ao mesmo tempo, passa uma clara mensagem a qual o governo tenta negar: o Brasil não tem ação estratégica alguma para conter o desmatamento em curso”, destacou o Greenpeace, que reforçou a necessidade de ações de comando e controle para promover o estancamento imediato da sangria do desmatamento e a manutenção dos direitos humanos.

“Mas para além disso, são necessárias ações coordenadas dos órgãos públicos nas três esferas e uma discussão séria e imprescindível sobre uma transição de modelo de desenvolvimento que perceba atividades capazes de conviver de forma harmônica com a floresta em pé”, complementou Freitas.

A entidade também fez um alerta contra o Projeto de Lei 2374/2020, de autoria do Senador Irajá Abreu (PSD/TO), que, ontem, foi inserido na pauta da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal, em caráter terminativo. “Se aprovado, concederá anistia àqueles que desmataram ilegalmente áreas de Reserva Legal entre julho de 2008 e maio de 2012. Sem que houvesse audiência pública ou apreciação por outras comissões, como a de Meio Ambiente (CMA) do Senado, o projeto é um benefício aos criminosos, além de ser um estímulo a novas invasões de áreas e enfraquecer a implementação do Código Florestal nos estados”, alertou o Greenpeace, em nota à imprensa. Por falta de quórum na reunião da CRA, o PL não pôde ser votado, mas há expectativa de que retorne à pauta nas próximas semanas.

Os alertas do sistema Deter mostram ainda que o maior polígono detectado de desmatamento ocorreu em Altamira, no Pará, com 1.358 hectares. O segundo maior, com 1.337 hectares, está localizado em Lábrea, no Amazonas. Os municípios de Altamira e Lábrea ocupam juntos o quarto lugar de maiores desmatamentos contínuos.

Veja o histórico do desmatamento conforme dados do Inpe:

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Comissão aprova inclusão expressa de casais homoafetivos na Lei Maria da Penha Polícia do Rio investiga MC Poze por suspeita de estupro de adolescente de 16 anos Presidente do Tribunal de Contas de MT é preso em operação da PF Polícia Federal cumpre novos mandados da Operação Unha e Carne