Redação EdiCase
Tremor não é o único sinal de alerta da doença de Parkinson. Sintomas como intestino preso, alterações no olfato e distúrbios do sono podem aparecer até 20 anos antes do diagnóstico. No Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, celebrado em 11 de abril, especialistas chamam atenção para sinais pouco conhecidos.
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A data também busca ampliar o debate e combater a desinformação sobre a condição que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo. A projeção é de que esse número dobre até 2050, acompanhando o envelhecimento da população global.
No Brasil, cerca de 200 mil pessoas convivem com a doença. Para o neurologista Diego Salarini, do Hospital São Luiz Jabaquara, o aumento dos casos está ligado principalmente ao envelhecimento da população, além de fatores ambientais e de estilo de vida.
“O envelhecimento populacional é um dos principais fatores para esse aumento, considerando que o Parkinson afeta, principalmente, pessoas acima de 60 anos. Mas não podemos deixar de lado questões ambientais e comportamentais”, explica.
A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa caracterizada pela perda progressiva de neurônios produtores de dopamina, principalmente em uma região do cérebro chamada substância negra. Além disso, está associada ao acúmulo anormal de uma proteína chamada alfa-sinucleína, que contribui para o processo de disfunção e morte celular. “É justamente a redução da dopamina que compromete o controle dos movimentos, levando a sintomas como tremor, rigidez muscular e lentidão”, destaca Diego Salarini.
Apesar de ser o sinal mais conhecido, o tremor não é a única manifestação da doença. O Parkinson também pode causar sintomas não motores, muitas vezes anos antes das alterações físicas, que refletem o envolvimento progressivo de diferentes áreas do sistema nervoso. Entre os principais, estão:
“Como esses sintomas podem ocorrer em outras doenças, é importante estar atento a mudanças persistentes na saúde e buscar avaliação adequada”, complementa Diego Salarini.
Segundo o especialista, esses sinais podem seguir uma progressão ao longo do tempo, frequentemente iniciando com alterações intestinais e do olfato, seguidas por distúrbios do sono e, posteriormente, sintomas de humor, antes do surgimento de tremores, rigidez muscular e lentidão dos movimentos.
Ao longo da evolução da doença, também podem surgir ansiedade, fadiga, dores musculoesqueléticas, alterações de postura, distúrbios da marcha (irregularidades no caminhar), alucinações e comprometimento cognitivo.
Como o organismo não consegue repor as células de forma eficaz, a doença ainda não tem cura. “O tratamento é focado em controlar os sintomas, melhorar a funcionalidade e preservar a qualidade de vida dos pacientes ao longo do tempo”, afirma o neurologista.
As abordagens incluem medicamentos que aumentam ou imitam a ação da dopamina, além de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e atividade física regular, sendo esta última um dos pilares do tratamento.
Em casos específicos, pode ser indicada a estimulação cerebral profunda — cirurgia que ajuda a controlar sintomas motores e reduzir flutuações relacionadas ao uso de medicamentos. Outras abordagens, como infusão contínua de medicações e técnicas cirúrgicas mais recentes, também podem ser consideradas em situações selecionadas.
Apesar de não haver cura, há diversas linhas de pesquisa em andamento, incluindo terapias voltadas à modulação da alfa-sinucleína, imunoterapia, terapia gênica e uso de células-tronco. “Mais importante do que o diagnóstico é entender que o Parkinson não define o paciente. Com acompanhamento adequado, é possível manter autonomia, qualidade de vida e bem-estar por muitos anos”, conclui o médico do São Luiz Jabaquara.
Por Samara Meni
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