Revista Crescer
Uma mulher que havia sido diagnosticada com infertilidade revelou estar grávida do terceiro filho e atribui a mudança a um medicamento para emagrecimento que passou a usar para aumentar as chances de conceber. Areli Ruiz, de 35 anos, e o marido, Jose Ruiz, de 34, se recusaram a desistir depois que os médicos disseram que ela não conseguiria engravidar.
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A aposta de uma enfermeira
Como enfermeira, Areli sabia que a inflamação é uma das principais causas de infertilidade. Segundo a Cleveland Clinic, medicamentos da classe GLP-1 podem ajudar indiretamente na fertilidade ao reduzir a inflamação, regular os níveis de testosterona e estimular a ovulação. Foi com essa lógica que ela, moradora da Califórnia, nos Estados Unidos, começou a utilizar Ozempic para reduzir a inflamação no corpo. Poucos meses depois, engravidou pela primeira vez.
"Quando os médicos me disseram que eu era infértil, fiquei arrasada. Depois que me casei, eu esperava construir uma família com meu marido; meu mundo inteiro desmoronou", contou ela, ao Daily Mail. "Fiquei impressionada quando vi o primeiro teste positivo. Achei que tinha sido o GLP-1 que ajudou, então comecei a tomar de novo depois do parto, e seis meses depois eu estava grávida outra vez. Agora tenho uma filha de 2 anos, um bebê de nove meses e estou grávida de oito meses. Meus filhos são meus bebês-milagre do GLP-1."
Cinco anos tentando e dois ciclos frustrados
Areli e Jose se casaram em 2017 e logo começaram a tentar ter um bebê. Depois de cinco anos sem sucesso, procuraram um hospital universitário para investigar a infertilidade, em 2022. Ela passou por exames hormonais e dois ciclos de tratamento, ambos sem êxito, até receber, em outubro daquele ano, o diagnóstico de infertilidade secundária — a incapacidade de engravidar depois de já ter tido um filho (ela já era mãe de uma adolescente).
Devastada, decidiu focar em melhorar a própria saúde. "Como enfermeira, sei que boa parte da infertilidade tem a ver com a inflamação no corpo da mulher. E um pouco de perda de peso também não faria mal. Se eu não fosse conseguir engravidar, pelo menos estaria ficando mais saudável", explicou. Começou a tomar o medicamento no início de 2023 e, em setembro do mesmo ano, notou o atraso menstrual. O teste deu positivo. A primeira filha nasceu em abril de 2024.
Três gestações coladas e planos para mais
Areli precisou interromper o medicamento durante a gestação, já que não é seguro usá-lo na gravidez, mas voltou a tomá-lo logo após o parto. Seis meses depois, estava grávida de novo, e deu à luz um menino em dezembro de 2025. Na consulta de seis semanas pós-parto, perguntou ao médico se poderia recomeçar as aplicações para tentar um terceiro filho. "Eu queria começar logo, porque já estou no fim dos meus 30 anos", disse. Um mês depois, veio mais um teste positivo: o terceiro bebê está previsto para outubro de 2026.
"Me sinto muito abençoada por ter conseguido ter três gestações bem-sucedidas depois de me dizerem que eu era infértil", afirmou. "As pessoas na internet vivem me criticando por ter filhos tão próximos em idade, mas eu realmente amo isso." Ela já comprou mais Ozempic antes mesmo de o bebê nascer e pretende ter mais filhos, se conseguir.
O que dizem os especialistas (e a ciência)
É importante deixar claro: os medicamentos GLP-1 não são aprovados para tratar infertilidade. Ainda assim, um número crescente de mulheres relata gestações surpresa nas redes sociais durante o uso da medicação. A especialista em ginecologia, endocrinologia reprodutiva e infertilidade Rashmi Kudesia explicou ao Daily Mail que esses medicamentos podem, sim, "melhorar a fertilidade por meio de uma série de mecanismos".
"Primeiro, pela redução de peso e pelo reequilíbrio hormonal, que permitem uma ovulação mais consistente. Segundo, a redução da resistência à insulina pode diminuir a inflamação generalizada e melhorar a saúde", disse.
Segundo ela, os GLP-1 podem reduzir marcadores de inflamação no sangue mesmo sem perda de peso. Um estudo publicado no Medical Journal of Australia, que analisou dados de mais de 1,6 milhão de mulheres, constatou que 2,2% delas engravidaram nos seis meses seguintes ao início da terapia com GLP-1, com taxas mais altas entre mulheres mais jovens com diabetes e mulheres sem diabetes no início dos 30 anos.
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