Folhapress
A diarista Paola Stefany Neto Cirino, presa por suspeita de matar a facadas um casal de idosos em Belo Horizonte, também é investigada por supostamente ter dopado e furtado um primo das vítimas.
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Primo foi o responsável por indicar a diarista para trabalhar na residência dos idosos. Em depoimento, o homem, que não teve a identidade divulgada, disse que conhecia Paola havia algum tempo e a recomendou para fazer faxinas na casa de parentes por ter confiança nela. As informações são do delegado do caso, Gustavo Barletta.
Diarista pode ter dopado e furtado o homem dias antes de matar o casal. De acordo com o delegado, o primo dos idosos também relatou ter passado mal enquanto assistia ao jogo da seleção brasileira contra o Marrocos, no mês passado, ocasião em que Paola estava com ele.
"Ela então sugeriu que ele fosse dormir. Ele foi, mas depois percebeu que a sua carteira havia sumido. Ele disse que jamais desconfiaria dela. Então, comprovando-se, nós indiciaremos ela por mais um crime", disse o delegado Gustavo Barletta, em entrevista à TV Globo.
Delegado disse que o homem está abalado e se sente culpado por ter indicado a diarista para trabalhar na casa dos parentes. "Ele disse que conhece ela [a diarista] já há algum tempo. Ele indicou ela para trabalhar para os seus parentes. Está muito triste, se sente culpado por conta dessa situação", explicou Barletta.
Defesa de diarista reafirma confiança no Judiciário. Em nota enviada ao UOL, o advogado Bruno Correa disse que apresentará seus argumentos no momento oportuno, com base nas provas do processo. Também sustentou que a responsabilidade da investigada deve ser definida apenas ao fim da instrução processual, e não por julgamentos antecipados ou pela repercussão do caso.
As razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno, com base nos elementos constantes dos autos e nas provas que vierem a ser produzidas, sempre com respeito às instituições e à atuação das autoridades competentes.
Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso. Defesa de Paola em nota enviada ao UOL
Casal foi morto a facadas dentro de apartamento. A perícia apontou que o advogado Cláudio Atala Inácio, 75, foi atingido por 17 facadas, e a esposa dele, a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76, com sete golpes. Os dois foram encontrados mortos no imóvel onde moravam, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte.
Investigação apura possível latrocínio. A perícia não encontrou sinais de arrombamento no apartamento, mas identificou uma gaveta revirada onde eram guardadas semijoias. Familiares também relataram o desaparecimento de objetos, como celulares e uma bolsa de grife.
"Para vocês terem uma ideia da cena que a equipe teve no local, a cena foi grotesca, muito sangue casa afora. Foi de extrema barbárie e violência a forma como esses idosos foram assassinados. Só para vocês terem uma ideia, a senhora tinha sete facadas no corpo e o homem, 17. Isso por si só já denota quão intencionada esta autora estava em ceifar a vida dos idosos", Polícia Civil em coletiva de imprensa
Filho encontrou os pais mortos. O casal foi localizado após o filho estranhar a falta de contato desde a manhã de segunda-feira. Segundo a Polícia Militar, Maria Clotilde estava caída na sala, enquanto Cláudio foi encontrado sobre a cama de um dos quartos.
Polícia encontrou roupa com manchas de sangue. A peça foi localizada em uma caçamba de lixo e, segundo os investigadores, pode ter sido descartada pela suspeita durante a fuga. O material será submetido à perícia.
Câmeras registraram entrada e saída da suspeita. Imagens do circuito de segurança mostram que a diarista entrou no condomínio por volta das 7h e deixou o prédio às 15h30. Segundo a investigação, ela saiu usando roupas diferentes das que vestia ao chegar e carregava uma sacola que seria de uma das vítimas.
Suspeita confessou o crime, segundo a polícia. Paola Stefany Neto Cirino admitiu ter matado o casal e afirmou que vendeu por cerca de R$ 3 mil objetos levados do apartamento, como relógios, bolsa e celulares. Os agentes teriam encontrado com ela o valor de R$ 18 mil em dinheiro.
"A gente pode estimar em R$ 200 mil, mas esses valores na revenda no mercado paralelo é fantasioso, ela inclusive confessou que vendeu tudo por R$ 3.300. Não acho que deve ser mentira porque realmente, na rua, o que vale é o momento, a rapidez", disse Gustavo Barletta, delegado.
Polícia mantém investigação. Ao UOL, a Polícia Civil informou apenas que o caso segue em apuração, com a realização de depoimentos. A principal linha de investigação é de latrocínio, crime de roubo seguido de morte.
QUEM ERAM AS VÍTIMAS
Advogado atuava em Belo Horizonte. Cláudio Atala Inácio fundou, em 1995, o escritório Atala Inácio & Advogados Associados. Era formado e pós-graduado em Direito Empresarial pela PUC Minas.
OAB-MG lamentou a morte. A seccional mineira informou que acompanhará as investigações e anunciou a criação de uma comissão especial para atuar como assistente de acusação no processo criminal, caso haja denúncia.
Empresária teve loja de decoração. Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio era empresária e foi proprietária de uma loja de presentes e artigos de decoração no bairro São Pedro. A Polícia Civil ainda investiga a motivação e a dinâmica do crime.
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