Dólar cai abaixo de R$ 4,10 com economia fraca que pode levar a corte de juro nos EUA

Publicado em 03/10/2019, às 23h11
-

Folhapress

A divulgação de mais um dado negativo da economia americana, dessa vez do setor de serviços, serviu para impulsionar os mercados acionários no mundo e derrubar o dólar para abaixo de R$ 4,10 pela primeira vez em cerca de duas semanas.

LEIA TAMBÉM

O setor de serviços é o principal segmento da economia americana e seu indicador mensal teve a maior queda desde agosto de 2016. O resultado veio ainda abaixo das expectativas do mercado.

Esses dados negativos se somaram aos indicadores ruins de indústria e de geração de empregos no setor privado americano.

Em vez de deixar investidores preocupados com a desaceleração da economia americana, agora a série de números ruins faz com que eles passem a considerar certo um novo corte de juros no país. Na segunda-feira (30), 39,6% dos entrevistados da Fed Watch esperavam pelo corte contra 92,5% desta quinta. A próxima reunião de política monetária deve ocorrer no fim do mês.

Na última reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), em setembro, os juros foram reduzidos para o intervalo entre 1,75% a 2%.

O movimento, atrelado à ideia de corte dos juros nos EUA, fez com que o dólar caísse frente a todas a moedas de países emergentes. No Brasil, a baixa do dólar chegou a 1,11%, fechando a R$ 4,0890. É o menor patamar desde 18 de setembro.

Para Fernanda Consorte, economista-chefe da Ouroinvest, a queda não se restringe apenas ao possível cenário de corte de juros. Ela explica que o feriado chinês e a valorização da moeda americana em semanas anteriores deu espaço para que o dólar recuasse.

"O dólar se fortaleceu nas últimas semanas, então ele está com uma gordura excessiva. Nessa semana também, com feriado chinês, toda a questão EUA-China saiu um pouco da pauta. Além disso não havia nenhuma reunião monetária. Então o mercado se apegou a dados de alta frequência [indicadores econômicos] que não costuma olhar quando tem coisas mais tensas acontecendo", afirmou.

Com a celebração dos 70 anos da revolução comunista na China, os mercados estão fechados nesta semana. Isso também tirou o peso da disputa comercial travada há mais de um ano pelo presidente americano, Donald Trump, contra os chineses.

As Bolsas americanas começaram o dia em queda, mas viraram o sinal com essa perspectiva de queda de juros. Os índices S&P 500 e Dow Jones ganharam 0,80% e 0,47%, respectivamente, enquanto a Nasdaq avançou 1,12%.

No Brasil, o dia foi de oscilações bruscas. No pior momento, a Bolsa chegou a cair abaixo dos 100 mil pontos, mas houve também momentos de alta durante o dia.

O Ibovespa, principal índice acionário do país, subiu 0,48% e encerrou a 101.516 pontos. O volume de negócios foi de R$ 15,792 bilhões, um pouco abaixo da média diária registrada neste ano, ao redor de R$ 16 bilhões.

A principal queda foi das units (grupos de ações) do BTG Pactual, que cedem 3,78% após a Polícia Federal e o MPF (Ministério Público Federal) de SP realizarem uma operação de busca e apreensão para investigar suspeitas de vazamentos de decisões do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC sobre a taxa básica de juros do país.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Por que os custos da morte também devem entrar na conta do mês Cesta básica ficou mais cara em apenas duas capitais; Maceió é uma delas Isenção da “taxa das blusinhas” em compras até US$ 50 é sancionada Novas regras da CNH geram economia de R$ 9,6 bilhões a motoristas em oito meses, diz governo