Dono da Itaipava, Grupo Petrópolis entra em recuperação judicial

Publicado em 28/03/2023, às 13h45
Grupo Petrópolis/Divulgação -

Folhapress

O Grupo Petrópolis, que produz as cervejas Itaipava, Black Princess e Cacildis, entrou em recuperação judicial. No pedido encaminhado à Justiça do Rio de Janeiro na segunda-feira (27), a companhia afirma ter dívidas em aberto estimadas em cerca de R$ 4,2 bilhões, das quais R$ 2 bilhões seriam derivadas de operações financeiras e de mercados de capitais, e R$ 2,2 bilhões com grandes fornecedores. Nessa última, haveria também operações de risco sacado.

LEIA TAMBÉM

A Petrópolis afirma não ter um passivo trabalhista relevante, nem dívidas expressivas com microempresas ou empresas de pequeno porte.

Além da recuperação judicial, a Petrópolis também pediu a concessão de tutela cautelar para suspender pagamentos já agendados para os próximos dias e semanas, bem como a liberação imediata desses valores, e para proibir a retenção de recebíveis futuros.

Segundo número apurados na sexta (24), a cervejaria previa ter que pagar, nas próximas semanas, R$ 215,7 milhões ao banco Santander; R$ 109,3 milhões ao Fundo Siena; R$ 47,5 milhões ao Daycoval; R$ 9,2 milhões ao BMG; e R$ 1,4 milhão ao Sofisa.
O pedido de recuperação judicial foi apresentado à Justiça pelos escritórios Galdino, Coelho, Pimenta, Takemi, Ayoub Advogados e Salomão, Kaiuca, Abrahão, Raposo e Cotta Advogados -os dois escritórios atuam em casos da recuperação judicial da Americanas, também em andamento na Justiça do Rio.

Os representantes da Petrópolis escreveram no pedido encaminhado à Justiça na segunda que o ajuizamento urgente foi necessário porque uma parcela bullet (quando os juros são cobrados de uma vez ao fim de um contrato) de R$ 105 milhões vencia naquele dia.

"Seu inadimplemento provocara o vencimento antecipado das demais operações existentes com a casa bancária, resultando na pronta liquidação dos recursos travados na conta vinculada e tentativa de apropriação dos recebíveis do Grupo Petrópolis que irão ingressar na referida conta nas próximas semanas", diz o pedido.

A Petrópolis afirmou que sua crise de liquidez vem se agravando há cerca de 18 meses, quando registrou drástica redução de receita. De 31,2 milhões de hectolitros (1 hectolitro equivale a 100 litros) vendidos em 2020, a companhia fechou 2022 com 24,1 milhões de hectolitros comercializados, e 2021, com 26,4 milhões.

Além da Itaipava, o grupo fabrica e distribui as cervejas Petra, Cabaré , Black Princess, Crystal, Lokal,
Weltenburger, Brassaria Ampolis (com os rótulos Cacildis, Biritis, Ditriguis e Forevis). O portfólio inclui também as vodcas Blue Spirit Ice, Nordka e Cabare Ice, os energéticos TNT Energy Drink e Magneto, o refrigerante It!, o isotônico TNT Sports Drink e a água Petra.

A juíza substituta Elisabete Franco Longobardi, ao antecipar os efeitos da recuperação judicial, afirmou que a companhia demonstrou a urgência no pedido, uma vez que o grupo é "constituído por incontáveis empresas com grande relevância nacional".

A administração judicial caberá à Preserva-Ação Administração Judicial e aos escritório de advocacia Zveiter, ambos do Rio de Janeiro e que também atuam no caso da Lojas Americanas.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Empresas têm até este sábado para enviar dados salariais por gêneros Receita paga lote da malha fina do Imposto de Renda de fevereiro IR 2026: Quais tipos de câncer dão direito a isenção? 13º salário do INSS 2026 deve ser pago em abril e maio, veja datas