Galileu
Não é novidade que a prática de atividade física é uma aliada poderosa para a saúde em qualquer idade. Mas, na adolescência, esse hábito pode ter um impacto importante em várias frentes - incluindo o risco de desenvolver diabetes tipo 2, segundo uma nova pesquisa.
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De acordo com um novo estudo preliminar apresentado nas Sessões Científicas EPI | Lifestyle 2026 da Associação Americana do Coração, adolescentes que substituem apenas meia hora de comportamentos sedentários — como ficar sentado no sofá ou passar tempo no computador — por atividade física moderada a vigorosa ou até por mais sono, podem reduzir a resistência à insulina.
A resistência à insulina ocorre quando o organismo passa a responder de forma menos eficiente ao hormônio responsável por controlar os níveis de glicose no sangue. Esse é um dos principais fatores por trás do desenvolvimento da doença.
Monitoramento das atividades
Para a pesquisa, foram analisados dados de 802 adolescentes com idades entre 12 e 17 anos, durante um período de 7 a 10 dias. Os participantes, além de registrarem detalhes sobre seus hábitos de sono, utilizaram dispositivos que monitoram o movimento ao longo do dia, permitindo aos pesquisadores medir com precisão quanto tempo era gasto em atividades sedentárias, exercícios leves, atividades de maior intensidade e sono.
Os resultados coletados indicaram que a maior parte do tempo diário dos participantes foi dedicada a atividades sedentárias (48%), seguido por sono (33%), exercícios de menor intensidade (17%) e atividades mais intensas, sendo a menos realizada pelos jovens, com apenas 2% do tempo diário.
A partir dessas informações, os pesquisadores aplicaram um modelo estatístico que simula o que aconteceria se parte do tempo sedentário fosse substituída por outros tipos de atividades. Dessa forma, a equipe conseguiu estimar os impactos de trocar 30 minutos de inatividade por exercício ou descanso.
Os autores do estudo descobriram que a intensidade da atividade realizada faz diferença. Os adolescentes que fizeram substituição do tempo sedentário por exercícios moderados a vigorosos apresentaram uma redução de cerca de 15% na resistência à insulina, sendo o efeito mais expressivo observado no estudo.
Já aqueles que fizeram a troca por mais tempo de sono também apresentaram uma redução, ainda que mais modesta, de aproximadamente 5%. Entretanto, atividades físicas de baixa intensidade não demonstraram impacto significativo nesse indicador.
“Fiquei agradavelmente surpresa com a força da associação entre substituir 30 minutos de tempo sedentário por atividade física moderada a vigorosa — uma redução de 15% na resistência à insulina é uma mudança bastante significativa”, disse Soren Harnois-Leblanc, autora principal do estudo e pesquisadora do Harvard Pilgrim Health Care Institute e da Harvard Medical School, em comunicado.
De acordo com Kershaw Patel, professor de cardiologia no Instituto Cardíaco e Vascular DeBakey do Houston Methodist e voluntário da Associação Americana do Coração, os adolescentes que mostraram uma menor resistência à insulina eram aqueles que praticavam mais atividades físicas moderadas quando eram mais novos. “A principal conclusão é que ser ativo desde cedo pode realmente fazer a diferença para a saúde a longo prazo”, informou.
Os resultados chamam atenção em um contexto em que adolescentes passam grande parte do dia em comportamentos sedentários, seja em frente a telas, na escola ou em deslocamentos. Esse padrão tem sido cada vez mais associado a riscos à saúde metabólica.
Apesar dos dados coletados, com a análise não foi possível comprovar a relação de causa e efeito entre atividades diárias e resistência à insulina. Por se tratar de um estudo preliminar, os resultados ainda precisam ser confirmados por pesquisas futuras.
Ainda assim, para os autores, a análise reforça uma mensagem importante: não é necessário fazer mudanças radicais para obter benefícios. Ajustes simples na rotina, como reduzir o tempo sentado e incluir períodos curtos de atividade física mais intensa ao longo do dia, já podem trazer impactos relevantes para a saúde dos jovens.
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