TNH1 com informações do UOL/Univérsia
A busca por autodiagnósticos médicos através de tecnologias digitais tem se intensificado, especialmente com a proliferação de aplicativos de saúde, testes caseiros, e gadgets de monitoramento pessoal. De acordo com o colunista Mário Prata, do UOL Universa, uma parte importante da triagem médica está saindo do consultório e sendo realizada pelos próprios pacientes, o que acende um sinal de alerta sobre os riscos dessa prática.
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Com o uso crescente de relógios inteligentes, anéis conectados, e chatbots de IA para interpretar dados de saúde, o acesso a informações sobre sinais vitais tornou-se mais imediato e constante. Embora esse contato frequente com dados do corpo possa ser benéfico, há o risco de interpretações erradas e falsos alarmes, gerando ansiedade nos usuários e, em alguns casos, decisões precipitadas quanto a tratamentos ou condutas médicas.
Mário Prata cita um estudo recente publicado pela Nature Medicine, que revela que um em cada seis adultos usa chatbots de saúde pelo menos uma vez por mês. Essa prática inclui desde tradução de termos médicos até a organização de sintomas e elaboração de roteiros de perguntas para consultas com médicos humanos. Isso mostra que a IA já desempenha um papel relevante na preparação para consultas, mas também levanta a questão de sua eficácia em diagnósticos mais profundos.
Prata observa que, embora a tecnologia tenha avançado consideravelmente, o problema não está apenas na precisão das respostas dos chatbots — mas na forma como os humanos formulam as perguntas. A pesquisa sugere que a dificuldade de fazer as perguntas corretamente pode ser a principal razão dos erros de diagnóstico, indicando que o risco de automedicação e de mal-entendidos médicos permanece elevado.
Outro aspecto discutido por Prata são os gadgets pessoais de saúde, como adesivos e dispositivos de fototerapia, que oferecem monitoramento remoto de condições como asma e psoríase. Esses aparelhos podem ser eficazes no acompanhamento diário das condições, mas, segundo o colunista, ainda não substituem a supervisão de um médico para decisões clínicas mais complexas.
Apesar de confiar nas inovações tecnológicas, o colunista afirma que não tem coragem de confiar apenas na IA. Ele ressalta que, mesmo com a facilidade e a disponibilidade desses recursos, a interação com médicos reais continua sendo essencial para garantir a precisão dos diagnósticos e a segurança no tratamento.
Assim, o uso de tecnologias de autodiagnóstico pode ser útil como complemento à orientação médica, mas deve ser feito com cuidado e sempre com a consciência de que uma análise completa feita por um profissional de saúde é irreplaceável.
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