Eberth Lins
Uma visita rara e que vem chamando a atenção de moradores e turistas ganhou um novo capítulo nese final de semana. O elefante-marinho que vinha sendo monitorado no litoral norte de Alagoas chegou a Maceió nesse domingo (22) e foi visto descansando na faixa de areia da Praia de Ponta Verde, nas proximidades do Marco dos Corais.
LEIA TAMBÉM
O animal foi encontrado na cidade de Barra de Santo Antônio, mas seguiu se deslocando ao longo da costa, passando por regiões como Garça Torta e Guaxuma, até alcançar uma das áreas mais urbanizadas da capital. Registros feitos por internautas mostram o elefante-marinho repousando tranquilamente na areia; assista ao vídeo:
Apesar do cenário incomum, a presença do animal exige atenção redobrada da população. Nesse domingo (22), foram registradas situações de interação indevida, com pessoas se aproximando do elefante-marinho, o que contraria as orientações dos órgãos ambientais.
De acordo com Bruno Stefanis, diretor do Instituto Biota de Conservação, o animal não está ferido nem precisa de resgate, mas sim de tranquilidade para completar um processo natural do seu ciclo de vida.
"A gente está se mobilizando junto com os órgãos públicos, tentar fazer um monitoramento mais efetivo, porque essa área é muito urbanizada e provavelmente ele terá muita interação. Como já foi dito várias vezes, o animal está em repouso, não está precisando de intervenção e ele está fazendo a sua própria depelagem, então ele precisa economizar energia porque nesse período ele fica sem se alimentar", explicou.
O processo citado é conhecido como troca de pele, fase em que o elefante-marinho permanece longos períodos fora d’água, reduzindo atividades para preservar energia.
Stefanis reforça que a curiosidade da população, embora compreensível, pode trazer riscos tanto para o animal quanto para as pessoas.
"Muito importante que a população não importune o animal, porque ao tentar tirar um selfie, ao tentar se aproximar, esse animal vai gastar energia tendo que entrar na água e ficar entrando e saindo, faz com que ele não repouse e também atrapalhe o seu processo de troca de pelo. Uma coisa que a gente tem observado é que as pessoas estão levando muito pet pra ver esse animal e as pessoas se aproximam, chegam no cordão de isolamento com o cão sentado com a devida coleira, isso faz com que ele não deixe de estar em alerta, porque esse animal pode correr em direção ao elefante e um dos dois se machucar. Tanto o cão pode atacar, como o elefante, para se defender, pode atacar seu pet", alertou.
Bruno também destacou que barulhos e tentativas de chamar a atenção do animal para fotos têm sido frequentes, o que prejudica ainda mais o repouso necessário.
"O animal está de passagem, o animal está bem e precisa que nós, humanos racionais, tenhamos os devidos cuidados. Ele fica geralmente numa praia durante o dia, se ele se sentir confortável, e depois ele vai para outra. Então aquela interdição que é feita para garantir a segurança do animal não é permanente. Vamos tentar respeitar um pouco do pouco espaço que o animal precisa para ter uma boa passagem pelo nosso estado", completou.
Equipes do Instituto Biota e órgãos públicos seguem acompanhando a movimentação do elefante-marinho e devem reforçar o monitoramento na região de Ponta Verde, especialmente por se tratar de uma área com grande circulação de pessoas. A recomendação principal permanece: manter distância, evitar contato e respeitar o espaço do animal durante sua passagem pelo litoral alagoano.
LEIA MAIS