Eberth Lins
Um áudio que circula nas redes sociais, atribuído ao historiador Ruan Carlos Ferreira de Lima Albuquerque, apontado pela polícia como mandante do assassinato de Johanisson Carlos Lima Costa, conhecido como Joba, mostra o então foragido pedindo perdão e orações à comunidade católica que frequenta.
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Na gravação, Ruan se identifica e afirma viver um momento difícil. “Meus irmãos e irmãs da Comunidade Virgem dos Pobres, aqui quem fala é Ruan. O Ruan que todo mundo conhece desde criança. É um momento difícil, é um momento complicado da minha vida”, diz, aparentemente emocionado.
Ainda no áudio, o suspeito faz um apelo aos fiéis, solicitando orações e pedindo desculpas por, segundo ele, ter levado vergonha à comunidade e à Igreja. “Peço a todos vocês oração, peço a todos vocês que me perdoem por levar essa vergonha para o nome da minha comunidade e da minha igreja”, continua, sem especificar o motivo do pedido de perdão.
Ruan também se dirige aos moradores do município de Rio Largo, onde viveu por anos e é conhecido, pedindo desculpas de forma genérica. “A todo o povo de Rio Largo, peço perdão por tudo. Muito obrigado. Ao mesmo tempo que peço perdão, peço a oração de vocês, do fundo do meu coração. Que Deus abençoe a todos e que vocês possam me perdoar de verdade”, completa. Escute o áudio abaixo:
O TNH1 procurou a defesa de Ruan Carlos, que confirmou a veracidade do áudio, mas disse que está sendo repercutido fora do contexto.
"Não é ele pedindo desculpas às pessoas por ter praticado o crime, tá? Na verdade, ele está pedindo desculpas às pessoas pela repercussão do caso, apontando ele como sendo autor do crime e que, portanto, por conhecer tantas pessoas, ter alunos, ter conhecimento com muita gente, ele pediu orações porque está passando por um momento difícil em ter sido acusado e, como eu disse também, por ter o nome dele lançado em redes sociais, divulgado dessa forma, e por isso ele pede perdão pela exposição", disse o advogado Napoleão Jr.
O crime - Johanisson Carlos foi assassinado na manhã da sexta-feira (24), no bairro Santa Lúcia, logo após sair de casa, enquanto aguardava uma van para se deslocar até o local de trabalho, o CT Ninho do Galo, na Barra de São Miguel. Ele foi atingido por um tiro na nuca e morreu no local.
Segundo a Polícia Civil, Ruan é apontado como o autor intelectual do crime. Ele permaneceu foragido até a noite da segunda-feira (26), quando se apresentou à polícia e foi preso. Ruan compareceu à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Bebedouro, acompanhado do advogado, Napoleão Jr., não entregou o aparelho celular e ficou em silêncio na maior parte do depoimento.
Outros envolvidos mortos - De acordo com as investigações, Johanisson foi perseguido e baleado pelas costas por um ciclista. O autor dos disparos, Raul Silva de Melo, de 27 anos, morreu em confronto com a polícia no bairro Clima Bom, no domingo (25), dois dias após o homicídio. Outros dois suspeitos, José Cícero Aprígio da Silva, 27, e Ana Tássia da Silva Santos, 28, também morreram após reagirem a uma ação policial.
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