Em balanço, Vale estima perdas de R$ 19 bilhões com Brumadinho

Publicado em 09/05/2019, às 21h48
Divulgação/Corpo de Bombeiros-MG -

Folhapress

Em seu balanço do primeiro trimestre de 2019, a Vale projeta perdas de R$ 19 bilhões com o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). A mineradora fechou o trimestre com prejuízo de R$ 6,4 bilhões, ante lucro de R$ 5,1 bilhões no mesmo período do ano anterior.

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A tragédia ocorreu no dia 25 de janeiro, deixando um rastro de destruição na região e levando a aumento nas restrições para a operação de barragens de rejeito de minério no país. Até o momento, as autoridades contabilizam 237 mortos e 33 desaparecidos.

No balanço, a Vale provisionou R$ 9,3 bilhões para acordos de compensação das vítimas e remediação das áreas atingidas, R$ 7,1 bilhões para a descaracterização de barragens e contabilizou despesas de R$ 2,5 bilhões com os trabalhos no município, perdas de volumes e suspensão de operações, entre outros.

A empresa ressaltou no balanço, porém, que no estágio atual das investigações não é possível determinar exatamente qual será o custo total com reparações, compensações e possíveis ações judiciais relacionadas à tragédia.

"Os valores divulgados no resultado do primeiro trimestre de 2019 levam em consideração a melhor estimativa da administração e consideram os fatos e circunstâncias conhecidos até o momento", disse a Vale, em comunicado ao mercado.

Os impactos financeiros da ruptura da barragem levaram a empresa a fechar um trimestre com Ebitda (indicador que mede a capacidade de geração de caixa) negativo pela primeira vez em sua história. No primeiro trimestre, o indicador foi negativo em R$ 2,8 bilhões.

Com a necessidade de captar recursos após bloqueios judiciais de seu caixa após a tragédia, a dívida bruta da companhia subiu 10%, para US$ 17 bilhões (cerca de R$ 67 bilhões, pela cotação atual).

O resultado do trimestre também foi afetado por cortes na produção após o acidente, que levou autoridades a determinar o fechamento de minas com barragens semelhantes à que se rompeu em Brumadinho. A produção de minério de ferro caiu 30% e a de pelotas, 20%.

No primeiro trimestre, a mineradora teve receita de R$ 30,9 bilhões, 11% a mais do que no mesmo período do ano anterior, mas queda de 17% em relação ao trimestre anterior.

"Nós nunca esqueceremos Brumadinho e não pouparemos esforços para aliviar o sofrimento e reparar as perdas das comunidades impactadas", escreveu o presidente da companhia, Eduardo Bartolomeo, que substituiu Fabio Schvartsman, afastado no início de março a pedido da força-tarefa que investiga o caso.

Além de Schvartsman, a força tarefa pediu o afastamento de outros três diretores e dez funcionários da mineradora, que são alvo de investigações sobre a responsabilidade pela tragédia. As autoridades acusam a empresa de ignorar os riscos da barragem que se rompeu.

A companhia alega que a estrutura tinha os certificados de estabilidade requeridos pela legislação e decidiu questionar judicialmente a empresa responsável pelos documentos, a alemã Tüv Süd, após funcionários desta empresa afirmarem em depoimento à polícia que foram pressionados a atestar a barragem.

Em ação impetrada no início de maio, a Vale pede acesso aos documentos relativos aos contratos que mantém com a fornecedora. A Vale afirma que, caso os depoimentos sejam verdadeiros, a Tûv Sûd violou obrigações contratuais.

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