Roberta Dias: emocionada, mãe de jovem chora em júri e depoimento é interrompido por minutos

Publicado em 23/04/2025, às 15h39
Em depoimento, mãe de Roberta Dias chora ao relembrar quando soube do desaparecimento da filha - Bruno Protasio / TV Pajuçara

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O início do julgamento dos réus acusados de matar Roberta Costa Dias foi marcado por comoção devido ao depoimento da mãe da jovem. Mônica Reis foi a segunda testemunha ouvida no começo da tarde desta quarta-feira, 23, pelo juiz Lucas Dória, na 4ª Vara de Penedo, e não conteve as lágrimas ao relembrar quando descobriu que a filha, à época com 18 anos e grávida, tinha desaparecido. 

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O jornalista Bruno Protasio, que faz a cobertura do caso pela TV Pajuçara, destacou que o julgamento foi interrompido por cerca de três minutos para que Mônica pudesse se recompor para continuar com o depoimento. 

A mãe de Roberta contou ainda como descobriu a gravidez da filha, e que a jovem comentou sobre Saullo não querer o nascimento do bebê. Mônica também deu detalhes sobre como ficou sabendo do áudio atribuído a Karlo Bruno Pereira Tavares, em que há a confissão de assassinato.

Como o julgamento se estenderá até sexta-feira, 25, e mais testemunhas serão ouvidas na quinta-feira, 24, o juiz do caso solicitou para a imprensa não fazer gravações para evitar que o conteúdo dos depoimentos influencie nas falas dessas próximas testemunhas

Atraso para o início do júri - O julgamento estava programado para começar às 09h, mas teve início às 12h30. O primeiro a ser ouvido foi o policial civil que iniciou a investigação à época do desaparecimento. A fala dele durou cerca de 40 minutos. Ele não teve a identidade revelada.  

Nesse primeiro dia, serão ouvidas as testemunhas de acusação. “São oito testemunhas, que devem depor por cerca de 40 minutos. Amanhã (quinta-feira), o julgamento começa com a oitiva das testemunhas de defesa e acreditamos que, no final do dia, será possível realizar o interrogatório dos dois acusados”, afirmou o magistrado.

Roberta Dias tinha 18 anos, estava grávida e foi assassinada em 2012 (Foto: Arquivo pessoal)

 

A sexta-feira está reservada para os debates entre acusação e defesa. Segundo o juiz, essa fase do júri deve durar em torno de nove horas. “Possivelmente na sexta os trabalhos comecem mais cedo, para podermos ter um espaço maior de debate e concluir os trabalhos”, disse o juiz à cobertura do TJ-AL.

Os réus - Mary Jane Araújo Santos e Karlo Bruno Pereira Tavares são os acusados pela morte de Roberta Costa Dias e respondem por homicídio triplamente qualificado, aborto provocado por terceiro, já que a vítima estava grávida, e ocultação de cadáver. Mary Jane também é acusada de corrupção de menor, já que o filho dela, Saullo Santos, namorado de Roberta na época, era adolescente e teria participado do crime.

A acusação está a cargo do promotor de justiça Sitael Jones Lemos. A defesa de Mary Jane será feita por Fábio Lobo e Alessandro Calazans. Já a defesa de Karlo Bruno tem como advogados Ricardo Moraes e Arley Vieira.

Justiça nega pedido para mudar local do julgamento - A Justiça de Alagoas negou, no início da tarde desta quarta-feira, 23, o pedido de desaforamento feito pela defesa de Mary Jane de Araújo Santos, uma das acusadas pela morte de Roberta Costa Dias, em Penedo.

A defesa havia solicitado a transferência do julgamento para outra cidade, alegando que a pressão da mídia e da população local poderia influenciar os jurados, o que foi rejeitado pelo desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo.

O caso - Roberta Costa Dias desapareceu em abril de 2012, quando tinha 18 anos. O motivo do crime seria o bebê que ela estava esperando do filho de Mary Jane, Saullo, com quem Roberta teve um relacionamento. Ele tinha 17 anos e a gravidez era indesejada pela família dele. Ele e a mãe teriam atraído a vítima para uma rua nas proximidades do posto de saúde, onde a jovem tinha ido se consultar.

A ossada de Roberta Dias só foi encontrada nove anos depois do assassinato, na Praia do Pontal do Peba, na cidade de Piaçabuçu. Foi a mãe dela que, após saber que um crânio foi localizado naquela região, providenciou uma escavadeira para recolher os restos mortais da filha. Pouco depois, a polícia foi chamada e acionou a Perícia Oficial, que comprovou, após realização de exame, que se tratava, de fato, de Roberta Dias.

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