Em rede social, vítima de estupro coletivo desabafa: "Não dói o útero e sim a alma"

Publicado em 27/05/2016, às 15h42

Redação

A adolescente vítima de estupro coletivo na zona oeste do Rioagradeceu na noite desta quinta-feira (26) o apoio recebido. "Venho comunicar que roubaram meu telefone e obrigada pela apoio de todos".

LEIA TAMBÉM

Na manhã desta quinta-feira (27), ela acrescentou: "realmente pensei serei que seria julgada mal ! Mas não fui, todas podemos um dia passa e por isso .. Não, não doi o útero e sim a alma por existirem pessoas cruéis sendo impunes !!".

A vítima foi estuprada por 33 homens nesta semana na zona oeste do Rio. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática do Rio (DRCI) pediu na noite desta quinta-feira (26) a prisão de quatro homens envolvidos no crime.

Lucas Santos, de 19 anos, e Raphael Assis, de 41 anos, são acusados de participarem do estupro. Lucas era namorado da adolescente. Raphael é o homem que tirou uma selfie postada nas redes sociais em que ele aparece ao lado da vítima desacordada.

Já Marcelo Correa, de 18 anos, e Michel Brazil, de 20 anos, são acusados de divulgar o vídeo que mostra o estupro com mais de 30 homens nas redes sociais.

Nesta sexta-feira (27), a adolescente irá se encontrar com o promotor responsável pelo caso para prestar novos esclarecimentos. Uma psicóloga irá acompanhar o depoimento.

33 traficantes

A mãe da adolescente relatou que temeu pela vida da filha ao ver o vídeo do crime circulando nas redes sociais. Ela descobriu o que tinha acontecido apenas quando viu a repercussão na internet.

— Eu fiquei surpresa porque nunca achei que eles fossem capazes de tanta barbaridade.

"Eles" são 33 traficantes do morro da Barão, em Praça Seca. Segundo a defesa da vítima, ela foi até a comunidade para encontrar o namorado, no sábado (21). Em depoimento à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, ela afirmou que não lembra do crime, mas acordou no domingo (22) e viu 33 homens armados com fuzis e pistolas em volta dela.

A adolescente relatou que após despertar sentia fortes dores, apesar de não saber o que aconteceu. Depois, ela disse que pegou um táxi para voltar para a casa em que mora com a mãe. Ao chegar em casa, percebeu que o telefone celular havia ficado na comunidade. Na terça-feira (24), ela voltou ao local para pegar o celular e não voltou mais até ser resgatada.

Na quarta-feira (25), um suposto agente comunitário a encontrou, dopada, e levou para a casa da mãe, que ficou aliviada em reencontrar a filha. Ela afirma que ao ver o vídeo, na manhã de quarta, pensou que não veria mais a filha viva.

— Fiquei muito transtornada e naquele momento só pedia para Deus que ela estivesse viva ainda, e que voltasse com vida, do jeito que estivesse.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Senado aprova uso imediato de tornozeleira por agressor de mulher Cinco dias antes de ser morta, PM Gisele avisou estar 'praticamente solteira' e tenente-coronel ameaçou: 'Jamais! Nunca será!' Anvisa apreende suplementos, cosméticos e equipamentos de saúde em galpão do Mercado Livre Advogado mata esposa com tiro na cabeça e se entrega à polícia em SC