Escritório de SP na China negocia liberação de insumos da vacina

Publicado em 20/01/2021, às 16h15
Governo de São Paulo -

Uol

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse hoje que conta com a atuação de um escritório do governo paulista na China para negociar a liberação de insumos para a produção da CoronaVac. Doria afirmou que a direção do escritório comercial de São Paulo em Xangai vem acompanhando a situação. O impasse pode impedir o Instituto Butantan de produzir mais doses da vacina contra a covid-19 que está sendo distribuída pelo Ministério da Saúde.

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"O escritório do governo de São Paulo em Xangai abriu novos entendimentos com autoridades da China para a liberação dos insumos da vacina do Butantan", disse Doria durante entrevista coletiva realizada no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

O governador paulista aproveitou para valorizar a instalação do escritório durante a sua gestão. Em agosto de 2019, o governo de São Paulo criou em Xangai a unidade da InvestSP (Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade). Segundo Doria, o escritório já ajudou a trazer respiradores e EPIs (Equipamento de Proteção Individual) importados da China no início da pandemia.

"Nosso diretor-geral da nossa unidade da China está em Pequim acompanhando a liberação de insumos para a vacina do Butantan", afirmou o governador, citando José Mario Antunes, que dirige o escritório chinês.

O próprio Antunes também deu um depoimento virtual durante a entrevista coletiva e confirmou a negociação com os chineses. Ele afirmou que as conversas correm "muito bem" e que vem mantendo "contato diário" com autoridades chinesas para liberar a carga do laboratório Sinovac, parceiro do Butantan na produção da CoronaVac.

De acordo com o diretor do Butantan, Dimas Covas, a previsão da instituição é de que o novo lote de matéria-prima chegue da China até o final de janeiro.

"Nossa previsão de chegada, como mencionei, é de que 5,4 mil litros [de insumos] cheguem até o fim desse mês. E mais 5,6 mil litros até o dia 10 de fevereiro. Essa matéria-prima está pronta e aguardando trâmite burocrático", disse Covas.

O diretor do Butantan também previu que na próxima semana já poderá iniciar a distribuição ao Ministério da Saúde dos 4,8 milhões de doses que esperam um novo aval da Anvisa. Segundo Dimas Covas, a agência federal já concluiu a documentação enviada pelo Butantan e fez um pedido de esclarecimento ao laboratório paulista.

Entrave sobre insumos

Desde que teve o primeiro pedido de uso emergencial para a CoronaVac aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), no último domingo (17), o Instituto Butantan e o governo paulista se preocupam com a continuidade da produção da vacina na fábrica do Butantan, em São Paulo. Como a CoronaVac é o único imunizante aprovado até agora e com doses disponíveis para serem aplicadas no país, a questão se tornou urgente.
Para evitar que a campanha nacional de imunização pare por falta de vacinas, o Butantan precisa da chegada de insumos vindos da China. A expectativa é produzir mais 10 milhões de doses até o final de janeiro. Até agora, o laboratório paulista já forneceu 6 milhões de doses ao PNI (Programa Nacional de Imunização) e tem mais 4,8 milhões prontas para serem distribuídas.
As doses que estão prontas no Butantan, porém, aguardam a aprovação de mais um pedido de uso emergencial feito à Anvisa, que prometeu uma resposta até sexta-feira (22). O novo aval é necessário porque essas doses foram envasadas no país, enquanto os primeiros 6 milhões vieram prontos da China, produzidas pelo laboratório Sinovac.

A informação do governo paulista é de que o Sinovac tem os insumos prontos para a entrega, mas aguarda a conclusão de questões burocráticas para a liberação da carga. Por conta disso, o presidente do Butantan, Dimas Covas, chegou a cobrar ontem "dignidade" do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para ajudar a destravar a importação.

Isso porque Bolsonaro tem feito desde o ano passado afirmações negativas em relação à CoronaVac, e propagando desconfiança sobre a China. Além do presidente, um dos seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), chegou a criar um desgaste diplomático ao acusar a China de suposta espionagem por meio da sua rede de tecnologia 5G.

Reunião com embaixador

Hoje pela manhã, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual aliado de Doria, se reuniu de forma virtual com embaixador da China no Brasil, Yang Wanming. Após a reunião, Maia afirmou que não há entraves políticos para a chegada dos insumos da China, e que Wanming está trabalhando para acelerar o processo.
Já Doria chegou a dar hoje uma previsão de 48 horas para ter uma resposta da China sobre a importação. O governador afirmou que tem conversado com autoridades chinesas e confia na resolução do impasse com a ajuda do escritório da gestão paulista em Xangai.

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