Especial transplante: a urgência na vida de quem espera por órgãos desconhecidos

Publicado em 08/09/2019, às 11h53
Agência do Rádio -

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“O aeroporto estava fechado devido a condições meteorológicas, e alguns passageiros já estavam desistindo daquela viagem. Quando eu fiz o anúncio que nós estávamos transportando um órgão para transplante, todo mundo sentou, ninguém quis mais retirar a sua bagagem. Porque, quando um passageiro desce, por norma de segurança, nós temos que abrir o porão e fazer a retirada dessa bagagem. Quinze minutos depois, o aeroporto abriu e nós conseguimos decolar, e ainda conseguimos pousar no nosso horário previsto. Os passageiros aplaudiram e todo mundo saiu parabenizando a tripulação e foi muito emocionante, é até um voo inesquecível”.

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O relato do comandante Sérgio Sobreira, piloto de voos comerciais, demonstra a importância da colaboração de toda a sociedade para a velocidade no transplante de órgãos no Brasil. Aliás, esse processo precisa ser muito rápido, pois a vida de alguém é o que está em risco. Por isso que, nesse momento, o milagre precisa de asas para voar. E é aí que entra a parceria entre o Governo Federal, a Força Aérea Brasileira e as companhias aéreas: O compromisso de agilidade pela vida, em que órgãos e equipes médicas são transportados com prioridade de voo e decolagem das aeronaves. Então, para ter um processo ágil, é fundamental manter uma comunicação integrada entre as equipes de saúde, como explica o médico Weber Matos, que faz parte do Centro de Transplantes do Distrito Federal. 

“Existe uma interação entre a procura de órgãos e a equipe de captação. E essa interação também é imediata. Então, identificou a morte encefálica, os familiares são notificados. Porque não há possibilidade de doação de órgãos, de transplante de órgãos, sem que os familiares do paciente que teve a morte encefálica, sejam orientados e deem o acordo para que essa captação seja efetuada”.

Esse empenho dos profissionais de saúde é recompensado pela dedicação do sistema aéreo. Nesse momento, é quando a esperança encontra caminhos mais curtos por entre as distâncias continentais do Brasil. É nessa hora, também, que o esforço pessoal é muito valioso, afirma o diretor de Comunicação da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Adrian Alexandri.

“Agilidade do avião necessita de profissionais engajados, sensibilizadas com essa causa desde o momento em que uma caixa, um órgão, uma equipe chega ao aeroporto. No atendimento para levar essa caixa até o piloto, até uma equipe do avião e permite que um coração, um rim, sejam transportados em poucas horas e possa salvar vidas”.

E uma das coisas mais incríveis sobre a doação de órgãos é que ela se trata de fazer o bem para uma pessoa desconhecida, mesmo depois que a vida se apagou no corpo de um ente querido. Trata-se de transformar a tristeza por quem se foi na alegria por quem pode ficar. Essa é a história do Robério Melo, empresário de 55 anos e que, há dois, precisou de um transplante de fígado. 

“Eu sou transplantado há dois anos e dois meses. Eu fui acometido de três tumores no fígado e o médico me deu uma previsão de três dias de vida. No terceiro dia, uma pessoa disse sim para minha vida e hoje eu estou muito feliz saudável e dou graças a essa pessoa que disse sim no momento mais difícil da minha vida. Digam sim para a doação de órgãos, porque ela vai salvar não só uma vida, mas uma família inteira que está por trás dessa pessoa”.

O Brasil possui o maior sistema público de transplantes no mundo. Só para ter uma ideia, entre 2016 até maio deste ano, foram realizados quase 26.000 transplantes, todos financiados pelo SUS. A melhor forma de ajudar é comunicar à sua família a decisão de ser um doador de órgãos. A autorização passa por eles e é preciso que eles digam "sim" para que outras vidas possam ser salvas.

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