Lelo Macena
Após examinar imagens e vídeos de ovelhas, cabras e galinhas mortas e dilaceradas nas últimas semanas, em povoados da zona rural de Craíbas e Igaci, o médico veterinário e mestre em Ciência Animal, Epitácio Correia, já tem uma suspeita sobre o animal que possivelmente pode ter causado o prejuízo aos produtores rurais. E não é o tal “chupa-cabra”, a lenda que surgiu em Porto Rico, em 1995, como temiam os donos dos animais. Para Epitácio, as ovelhas e galinhas podem ter sido vítimas de cães errantes.
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"Acredito que a causa mais provável seja um ataque por cães errantes. Esses animais, frequentemente, formam matilhas devido ao seu comportamento gregário [que tende a viver em bando]. Em decorrência da ausência de tutores, da socialização limitada com humanos e da falta de acesso regular a alimentos, seus instintos naturais de caça e predação são intensificados, especialmente em grupo, como faziam seus ancestrais, os lobos", explica o especialista, ao citar casos parecidos em outros estados.
No último dia 6, por exemplo, treze ovelhas morreram após serem atacadas por cães na madrugada, no povoado de Guanabara, zona rural de Serrinha, a 70 quilômetros de Feira de Santana, na Bahia.
Epitácio Correia também chamou a atenção para a ausência de sangue nos animais atacados, fato relatado pelos produtores, levando-os a acreditar que o responsável teria “chupado” o sangue das cabras.
Nem sempre a mordida perfura grandes vasos sanguíneos, resultando em sangramento de grande volume, e em muitos casos as mortes dos animais ocorre também por asfixia. A ausência de sangue pode levar à impressão equivocada de que não se trata de um ataque animal. Vi a fotografia de um animal com parte do membro traseiro consumido. Nesse caso, a ausência de grande volume de sangue também é comum, pois, provavelmente, os animais se alimentaram da carne, ingerindo o sangue presente", explicou o veterinário, que já esteve à frente da gerência de Fauna e Flora do Instituto do Meio Ambiente (IMA-AL) e hoje é secretário adjunto de Meio Ambiente de Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas.
Embora a principal suspeita do especialista recaia sobre uma matilha de cães errantes, a participação de animais silvestres não pode ser totalmente descartada, segundo Epitácio. "Desconheço a presença de felinos de médio ou grande porte com capacidade de predar ovelhas e cabras naquela região, porém não podemos descartar totalmente essa hipótese".
O especialista faz um alerta à população sobre a necessidade de aumentar a iluminação e a segurança dos animais durante a noite, com o objetivo de conter o prejuízo dos produtores. "Caso seja comprovada a atuação de cães, o poder público municipal pode intervir, identificando e recolhendo esses animais para castração, buscando a socialização e, posteriormente, a adoção. É crucial destacar que a perda de cinco, seis ou dez animais representa um prejuízo significativo para o pequeno produtor. São animais adultos, em fase reprodutiva, que seriam comercializados", disse o especialista.
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