Redação EdiCase
Com mudanças no modo de morar e na valorização de ambientes mais acolhedores e personalizados, alguns elementos clássicos voltaram a despertar interesse nos projetos residenciais. Entre eles, as estantes têm ganhado cada vez mais destaque. Antes, eram peças robustas, geralmente em madeira escura, com inúmeros nichos destinados a livros, fotografias e objetos decorativos.
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Agora, esse cenário começa a se transformar. Em sintonia com uma busca crescente por ambientes mais personalizados, afetivos e versáteis, as estantes retornam com nova linguagem estética e funcional. Mais leves visualmente, abertas às diferentes composições e conectadas ao estilo de vida contemporâneo, elas voltam a ocupar papel estratégico nos projetos.
“Hoje a estante deixou de ser apenas um móvel de armazenamento para se tornar parte da arquitetura de interiores. Ela organiza, valoriza objetos afetivos e ainda contribui para a identidade visual da casa”, afirma a arquiteta Denise Barretto, que, à frente de seu escritório homônimo, costuma desenhar de forma personalizada as estantes dos seus projetos.
A seguir, confira alguns bons motivos para incluir a estante no seu projeto de interiores!
De acordo com Denise Barretto, as versões atuais se distanciam completamente dos modelos tradicionais. Linhas retas, desenho sob medida e combinação de materiais permitem soluções sofisticadas e adaptadas a cada espaço. Entre os materiais, madeira, serralheria, vidro, pedras naturais e iluminação embutida aparecem juntos em composições elegantes e contemporâneas.
“Essa mistura entrega uma riqueza visual ímpar e a certeza de peças exclusivas. A estante pode ser discreta ou protagonista, dependendo da proposta que idealizamos para o ambiente”, explica a arquiteta.
Além do apelo estético, a funcionalidade também evoluiu. Nichos variados, módulos fechados, espaços para equipamentos eletrônicos e integração com painéis de TV tornam o móvel mais eficiente para a rotina atual. Com televisores mais leves e finos instalados na parede ou embutidos em marcenaria, tornou-se possível recuperar a primazia da estante sem abrir mão da tecnologia.
Outro diferencial do mobiliário contemporâneo está na capacidade de organizar espaços sem bloquear a circulação ou comprometer a amplitude visual. Estantes vazadas, por exemplo, podem delimitar usos distintos em plantas abertas, criando transições sutis entre sala de estar, jantar e home office.
“Gosto muito de adotar a estrutura das estantes como divisórias leves. Elas setorizam os ambientes ao mesmo tempo que mantêm a luminosidade e a sensação de integração, algo muito valorizado atualmente”, comenta a arquiteta.
Essa versatilidade é especialmente importante em apartamentos compactos, onde cada elemento precisa cumprir mais de uma função. Há modelos que incorporam bancada de trabalho, bar, apoio para refeições rápidas e até portas camufladas para áreas íntimas.
O retorno das estantes também acompanha um desejo crescente de cercar-se de objetos que contam histórias. Livros, obras de arte, lembranças de viagem e peças herdadas ganham espaço de destaque e ajudam a construir ambientes mais autênticos. “A casa precisa refletir quem mora nela, e a estante oferece justamente essa possibilidade de expor memórias, gostos e referências de forma organizada e elegante”, comenta Denise Barretto.
Mais do que uma tendência passageira, o retorno das estantes revela uma mudança no olhar sobre os interiores: espaços que equilibram beleza, praticidade e significado.
Por Alexandre Agassi
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