Estudantes travestis e transexuais podem usar o nome social nas escolas

Publicado em 14/09/2017, às 07h43

Redação

O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou nesta semana resolução que orienta todas as escolas da educação básica brasileira, públicas e particulares, a garantir para estudantes travestis e transexuais o direito de usar o nome social nos registros escolares --nome social é aquele pelo qual pessoas trans e travestis são reconhecidas no dia a dia e que melhor reflete a identidade de gênero delas.

LEIA TAMBÉM

A norma aprovada diz, em seu ponto mais polêmico, que alunos menores de 18 anos de idade têm o mesmo direito de solicitar o uso do nome social “durante a matrícula ou a qualquer momento”, afirmando que “na ausência de consentimento dos representantes legais, o menor deve ser orientado sobre a possibilidade de recorrer à Defensoria Pública a fim de obtenção de autorização judicial, conforme o Estatuto da Criança e Adolescente”.

De acordo com o Código Civil, menores de idade necessitam ser assistidos pelos representantes legais (pais ou responsáveis) até completarem a maioridade.

Aprovada por unanimidade nesta terça-feira (12), a resolução do CNE atende a uma reivindicação do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) e será encaminhada para homologação do ministro da Educação, Mendonça Filho, até o final desta semana.

As principais justificativas da nova norma são o respeito à diversidade sexual nas escolas brasileiras e o combate à evasão proveniente do bullying que atinge estudantes travestis e transexuais.

“A ideia é normatizar e pacificar essa problemática e também educar a sociedade brasileira para que haja uma sociabilidade mais fraterna”, afirma o conselheiro Ivan Cláudio Pereira Siqueira, relator da resolução no CNE.

Siqueira reconhece o potencial polêmico da nova norma, mas afirma que a resolução reforça as diretrizes legais já consolidadas de garantia dos direitos de crianças e adolescentes.

“Não é por ser menor de idade que o estudante não tem direitos. Se ele quiser usar o nome social de acordo com a sua orientação sexual, os pais têm que ajudar. Se isso não ocorrer, a resolução indica outra forma para que o direito seja garantido”, diz o conselheiro. 

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Casal se beijava em moto aquática quando foi atropelado por 'barco pirata' Mãe fica chocada ao descobrir gravidez após filho receber aviso do "Papai do Céu" Paciente reclama de demora em UPA e tem teste de HIV lido em voz alta em SP Anac autoriza cargueira mexicana a operar regularmente no Brasil