Estudo diz que frutas vermelhas e roxas protegem o coração, mas consumo ainda está abaixo da necessidade

Publicado em 23/09/2026, às 20h00
- As frutas vermelhas são fonte de flavonois, composto bioativo associado a um menor risco de doenças cardíacas (Imagem: Igor Normann | Shutterstock)

Redação EdiCase

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que todas as pessoas com mais de 10 anos de idade consumam pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia, mas as recomendações não focam em um tipo específico de alimento. Por outro lado, o estudo “Adhering to dietary guidelines does not yield flavanol intake levels associated with beneficial cardiovascular effects”, publicado na revista científica Food & Function, revela que é fundamental incluir frutas vermelhas e roxas na dieta, já que elas são ricas em flavonóis, compostos associados a um menor risco de doenças cardíacas, e menos de uma em cada cinco pessoas consome.

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“Adicionar alimentos como mirtilos, ameixas, amoras, morangos, maçãs, favas e cerejas à dieta diária, especialmente quando combinados com chá verde, pode ser uma maneira simples de promover a saúde do coração. Os flavonóis são compostos bioativos que exercem efeitos antioxidantes e vasculares importantes. Eles podem reduzir significativamente o risco de morte por doenças cardiovasculares, mas apenas se consumidos em quantidade suficiente”, explica o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações.

Apesar disso, o especialista ressalta que a escolha dos alimentos também merece atenção. “A maioria das pessoas presume que comer muitas frutas e verduras já resolve isso, mas o que esta pesquisa demonstra é que as escolhas específicas que você faz importam muito mais do que a quantidade total. Incluir um punhado de amoras, uma maçã inteira ou tomar uma xícara de chá verde junto com a refeição pode fazer uma grande diferença na quantidade desses compostos benéficos que você realmente consome e absorve da dieta. E, em alguns casos, a suplementação pode suprir essa carência”, explica o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações.

A escolha dos alimentos faz diferença no consumo de flavonóis

Os pesquisadores descobriram que menos de 20% das pessoas atingiram o nível de ingestão de flavonóis associado a benefícios para a saúde do coração. “Mesmo muitos indivíduos que consumiam regularmente as cinco porções diárias recomendadas de frutas e vegetais não alcançaram essa meta”, diz o pesquisador Dr. Maurizio Pupo. Os resultados sugerem que simplesmente aumentar o consumo de frutas e vegetais pode não ser suficiente. “Os alimentos específicos que as pessoas escolhem parecem desempenhar um papel importante na determinação da quantidade de flavonóis que elas realmente consomem”, acrescenta o farmacêutico.

Ainda assim, a suplementação pode, em alguns casos, complementar a ingestão. “A alimentação deve ser sempre a principal fonte desses compostos bioativos, porque as frutas, vegetais e chás oferecem uma matriz nutricional complexa, com fibras, vitaminas e outros fitoquímicos que atuam de maneira integrada. No entanto, observamos que muitas pessoas não conseguem atingir regularmente as quantidades de flavonóis associadas aos benefícios cardiovasculares descritos nos estudos. Nesses casos, a suplementação de extratos padronizados pode ser uma alternativa complementar interessante, desde que seja orientada por um profissional e utilizada como parte de um estilo de vida saudável, e não como substituta de uma alimentação equilibrada”.

Ameixas, cranberries e mirtilos estão entre os alimentos ricos em flavonóis (Imagem: Mouse family | Shutterstock)

Quais alimentos incluir na dieta?

Pesquisas anteriores, incluindo o estudo COSMOS (COcoa Supplement and Multivitamin Outcomes Study), descobriram que o consumo de 500 miligramas de flavonóis por dia reduzia significativamente o risco de morte por doenças cardíacas. O novo estudo indica que a maioria das pessoas permanece bem abaixo desse nível, mesmo seguindo as recomendações padrão de alimentação saudável. O professor Dr. Maurizio Pupo comenta quais alimentos são fontes alimentares ricas em flavonóis por porção:

Pesquisa aponta espaço para aprimorar orientações alimentares

O farmacêutico enfatiza que os resultados também levantam questões sobre se as recomendações nutricionais atuais poderiam ser mais eficazes em ajudar as pessoas a obter compostos benéficos, como os flavonóis. “Consumir cinco porções por dia é a mensagem correta, mas talvez precisemos pensar com mais cuidado sobre quais cinco. Diferentes frutas e vegetais oferecem benefícios nutricionais muito distintos, além de vitaminas e minerais, e à medida que nossa compreensão desses compostos aumenta, surge uma oportunidade real de tornar as orientações dietéticas mais específicas e eficazes. Esta pesquisa é um passo em direção à compreensão de como isso poderia se traduzir na prática”, conclui o Dr. Maurizio Pupo.

Por Maria Claudia Amoroso

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