Contigo!
A ex-BBB26 Milena utilizou as redes sociais nesta segunda-feira (25/5) para justificar por que não gravou um vídeo comentando a repercussão das declarações de Luciano Huck sobre o Bolsa Família.
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Em uma publicação extensa no X (antigo Twitter), ela afirmou que evita entrar em certos assuntos públicos para não ser alvo de ataques, mesmo tendo vivenciado a pobreza extrema e já ter sido beneficiária do programa social.
A manifestação veio após a também ex-BBB Ana Paula Renault publicar um vídeo defendendo o Bolsa Família, o que foi interpretado por internautas como uma resposta indireta às falas de Huck em um evento fechado. Na ocasião, o apresentador disse que o programa “não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair” do benefício.
Questionada por seguidores sobre não ter se posicionado em vídeo como a amiga, Milena respondeu que sua própria história já representaria sua opinião sobre o tema.
“O Bolsa Família ajudou muito minha família, minha avó, mãe e tios. Mas trabalho desde os 10 anos porque só o Bolsa não bastava”, escreveu.
Críticas ao estigma do programa
No mesmo texto, ela contestou a visão de que beneficiários seriam acomodados e classificou esse discurso como injusto.
Segundo Milena, o auxílio foi essencial para cobrir despesas básicas da família em períodos difíceis. “Era uma luz paga, uma água, metade de um aluguel, remédio e comida na mesa”, relatou.
Ela também contou que sua família deixou de receber o benefício quando conseguiu melhorar de vida e destacou sua trajetória profissional posterior.
“Consegui sair do CLT e abrir meu próprio negócio. O Bolsa não seria tão malvisto assim se as pessoas, na prática, vivessem na pele a pobreza extrema”, afirmou.
A influenciadora disse ainda que costuma evitar certos debates públicos por receio de críticas e acusações de busca por engajamento. “Não falo por falta de argumentos, mas porque a minha própria história já é a resposta”, declarou.
Antes da repercussão, Luciano Huck havia publicado um vídeo afirmando que suas declarações foram “fora de contexto” e negando ser contrário a políticas de assistência social. “Isso não é verdade”, disse o apresentador.
Leia o pronunciamento de Milena na íntegra
“Porque não sou obrigada. Sou muito grata por pessoas como a Ana darem visibilidade para o assunto. Apoio e acho certo o posicionamento dela, mas há assuntos nos quais, mesmo sendo necessários e eu tendo vivido na pele e tendo propriedade de fala, não posso me envolver ou falar. Sempre sou atacada e dizem que estou querendo ‘biscoitar’, até porque eu não teria a visibilidade que o vídeo dela teve, e vocês sabem o porquê.
O Bolsa Família ajudou muito minha família, minha avó, mãe e tios. Mas trabalho desde os 10 anos porque só o Bolsa não bastava. Acho um tremendo absurdo e falta de respeito com quem o benefício realmente ajuda dizerem que o Bolsa Família é para acomodados, porque eu bem sei que nunca me acomodei.
Era uma luz paga, uma água, metade de um aluguel, remédio e comida na mesa. Para uma mãe solteira com três filhos era barra e, quando ela não tinha trabalho, eu bem sei o que ajudou a sustentar nós três: o Bolsa.Mas, quando não precisamos mais dele, saímos do programa com uma gratidão imensa, porque eu consegui sair do CLT e abrir meu próprio negócio. O Bolsa não seria tão malvisto assim se as pessoas, na prática, vivessem na pele a pobreza extrema, acordar um dia de manhã e não ter comida para o filho, ter que abrir mão do filho por não ter um teto ou ir para a escola apenas para comer.
Então, não falo por falta de argumentos, mas porque a minha própria história já é a resposta. Enquanto falam de teorias atrás de uma tela, eu sigo sendo a prova viva de que o auxílio acolhe, mas o trabalho liberta. Saí da extrema pobreza para ser dona da minha própria história e quebrar ciclos.
Julgar o prato do outro de barriga cheia é muito fácil. Difícil é ter a coragem de calçar os sapatos de quem venceu a fome e hoje prospera. Minha gratidão ao passado é eterna, meu orgulho do presente é gigantesco e o meu silêncio em certas discussões é apenas escolher não ser atacada gratuitamente.”
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